A ETA entregou ontem as armas e os explosivos que ainda detinha, seis anos depois de ter anunciado o fim das suas atividades terroristas. É uma excelente notícia, pois termina assim a última sublevação armada da Europa Ocidental, que durante décadas causou terror em Espanha tal como o IRA (entretanto também extinto na Irlanda do Norte) causava no Reino Unido..O terrorismo não deixará de existir no chamado Velho Continente, como prova o ataque islamita de sexta-feira na Suécia e outros recentes do género, mas a derrota dos etarras mostra que é possível extingui-lo, seja qual for a sua motivação ideológica, se à ação das autoridades se juntar o repúdio da sociedade, como o fez o povo basco com tremenda coragem contra quem dizia lutar em seu nome mas ao mesmo tempo matava, raptava e extorquia com toda a facilidade..É preciso lembrar que houve ETA antes e depois da chegada da democracia a Espanha. E que se os bascos eram oprimidos durante o franquismo, a ponto de a sua língua ser proibida, no período democrático não só o País Basco beneficiou sempre de vasta autonomia como tem sido governado na maior parte do tempo por um partido nacionalista. Por isso é inaceitável aquilo em que a ETA se tornara, matando cerca de 900 pessoas (os números divergem), a sua esmagadora maioria já na época da Espanha democrática, reconhecedora da diversidade do país. A sociedade basca rejeitou o terrorismo sem hesitação, mesmo que setores radicais insistissem em ver alguma lógica na morte de militares, polícias ou políticos, que eram os alvos habituais do grupo..A Espanha de hoje, sabemos bem, volta a estar muito marcada pelo debate em torno dos nacionalismos, com o catalão até a ser mais visível do que o basco. Mas por muito agreste que seja o confronto entre os defensores da unidade espanhola e os círculos independentistas a violência tem, e bem, estado ausente..Que a memória do mal que a ETA fez à Espanha democrática e sobretudo ao próprio País Basco espanhol nunca seja esquecida. E que a derrota de um certo tipo de terrorismo prenuncie a derrota, mais cedo ou mais tarde, de todos os outros tipos.