A coragem de se ser centrista

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Não, centrista não é de pertença ao CDS. O Centro Democrático Social, liderado por Nuno Melo, não é um partido centrista, apesar do seu nome enganador. O CDS, como se sabe, é um partido conservador de direita, muito longe de ser um partido centrista. Em Portugal, os dois partidos mais próximos do centro são o PS (que nada tem de socialista) e o PPD (chamá-lo PSD, de social democrata, é também enganador). Um é de centro-esquerda e o outro é de centro-direita.

Não há, ainda, um único partido verdadeiramente centrista no nosso país, ainda que boa parte da população portuguesa esteja politicamente próxima do centrismo. Ainda assim, é cada vez mais difícil ser centrista e ter posições centristas. Ou seja, posições de bom senso, moderadas, que rejeitam radicalismos, extremismos e populismos. Basta ver as caixas de comentários de jornais ou qualquer rede social para perceber que os extremos estão mais bem organizados e que conseguem passar melhor as suas mensagens.

No Twitter, ou X ou como Elon Musk o quiser chamar, basta fazer um comentário menos positivo sobre o Chega ou sobre o PCP e logo os seus exércitos aparecem para criticar ferozmente o comentário e o autor desse comentário, muitas vezes de forma bastante agressiva e caluniosa. É assim que funcionam os extremistas políticos muito pouco democráticos. Não aceitam críticas e defendem-se atacando. Será injusto dizer que só os seguidores desses dois partidos funcionam dessa forma. Mas são claramente aqueles que pior aceitam a diferença de opiniões e críticas mais severas.

E logo as posições ao centro também são atacadas. Os radicais de esquerda chamam de direitistas ou até mesmo de fascistas e os

radicais de direita chamam de esquerdistas e de comunistas (ou socialistas) aos centristas. E aqui nem estamos a falar daqueles que dizem que não são de esquerda nem de direita, nem mesmo do centro, como acontece com um partido europeísta português sem assento parlamentar que virou totalmente à esquerda. Aqui estamos a falar daqueles que se assumem como centristas.

E os centristas estão entre o PS e o PPD (também conhecido como PSD). Os centristas querem políticas direcionadas para as classes médias e até mesmo a defesa das classes médias, os centristas querem políticas que lhes tragam qualidade de vida, os centristas querem políticas que permitam que que cada um viva a sua vida de acordo com a sua identidade, os centristas querem políticas que defendam o meio ambiente e os animais, os centristas querem políticas que lhes permitam evoluir cultural e socialmente...

E os centristas querem sobretudo políticas equilibradas em todas as áreas, baseadas, sempre que possível, na ciência e em estudos credíveis. Ora, é isto que está a ser atacado pelos extremos da política. Os extremos são o oposto do que defende um centrista. Os extremistas, à esquerda e à direita, baseiam as suas propostas políticas em crenças e dogmas ideológicos. E recusam aceitar que as suas teorias políticas falharam sempre que foram implementadas.

Então como se explica a adesão aos extremos, dependendo das épocas, umas vezes à extrema-esquerda outras vezes à extrema-direita? Porque as pessoas tendem a aceitar melhor linguagens simples que lhes promete que é fácil alcançar o Paraíso. É isso que fazem os populistas de esqueda e de direita. São "pastores" de seitas que prometem acabar com o Inferno existente, ainda que na maior parte das vezes não expliquem como o fariam.

É por isso que ser-se centrista é um acto de coragem. Não está na moda. Não é um posicionamento político que tenha rápidas adesões. Mas é o lugar certo. É o lugar que pode trazer progresso, qualidade de vida e criar uma sociedade mais equilibrada e com

muito menos desigualdades. É tempo de os corajosos centristas se unirem e arregaçarem mangas.

Presidente do movimento Partido Democrata Europeu
O autor escreve de acordo com a antiga ortografia

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