A Casa Assombrada que quer ser a mais visitada

Classificado para 6 anos, o primeiro filme da colecção 'Uma Aventura' estreia-se amanhã em 50 salas do País. O seu produto, Manuel S. Fonseca atira a meta dos 200 mil espectadores, conquistados graças à acção, fantasmas, guerreiros índios, ladrões, espelhos mágicos, escaladas, perseguições de BTT... para toda a família
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"Às vezes basta uma casa para valer a pena fazer um filme. A casa de Sintra, a casa da Quinta de Vale Flor, vale bem um filme. Quando pela primeira vez lá entrámos, nua, despida, um bom bocado decadente, a casa pedia ficção, pedia que se imaginasse uma história por cada quarto, uma história pelo sótão, uma história por escadarias mais esconsas", recorda o produtor Manuel S. Fonseca, acrescentando que "houve dois aventureiros a responder à casa com uma paixão muito especial".

Esta casa é a do filme Uma Aventura na Casa Assombrada, com base em livros da série criada por Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, agora ministra da Educação, que se estreia amanhã. E um desses aventureiros é Augusto Mayer, o director artístico, que agarrou a casa e a vestiu de forma apaixonada com quadros, mesas de pé-de- galo, diamantes escondidos, assustadoras teias de aranha, vestidos esquecidos pelo chão, muito pó de um século...

O segundo aventureiro foi Carlos Coelho da Silva, com provas dadas em êxitos como O Crime do Padre Amaro ou Amália, O Filme. A este realizador coube-lhe, como conta Manuel S. Fonseca, fazer a casa "entrar numa história moderna em que nada do que parece é". E, acrescenta, "não bastava que fosse antiga e que o soalho rangesse. Era preciso que a casa, a querer assombrar, assombrasse de outra maneira, com outro efeito, com os mais especiais dos efeitos. Que fosse uma casa de twilight zone, uma casa de quinta dimensão".

O suspense é um elemento recorrente no filme, reforçado através de efeitos ópticos, 3D, composição de imagem, ruídos, e, por vezes, simplesmente a suspensão de som. "O silêncio pode ser assustador", defende o realizador, que revela existirem 700 efeitos especiais em cerca de 3 mil planos, onde os fantasmas, guerreiros índios, poderes misteriosos e um temível assassino alemão, espelhos mágicos, escaladas vertiginosas e perseguições de BTT são também uma constante.

Já para os argumentistas, nomeadamente Pedro Marta Santos, conta que começar Uma Aventura foi difícil. Desde logo "encontrar um equilíbrio harmonioso entre o presente (recursos tecnológicos e exigência do olhar mais jovem) e o passado (tradição da narrativa infanto-juvenil e história universal)", explica justificando que "a ficção para crianças e adolescentes é a mais exigente e a mais complexa", pois " não se deve esquecer uma herança que vem dos fairy tales e dos Marchen, de Straparola e Perrault, dos irmãos Grimm e Hans Christian Andersen, como é necessário respeitar Enid Blyton e - porque não? - J. K. Rowling, que começou a desenhar o seu aprendiz de feiticeiro bem perto dos locais onde decorre a acção de Uma Aventura na Casa Assombrada".

Já Ricardo Leitão, que confessa ter sido assolado várias vezes pela conhecida frase "O filme até está giro, mas o livro é muito melhor", defende que a solução era "encontrar uma fórmula que pudesse casar a riqueza da história original com as expectativas do exigente público juvenil. São dos mais duros críticos e não podia decepcioná-los", para tal só lhe restou "trabalhar afincadamente". No final, os dois são unânimes: "resultou!"

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