A burocracia e o empreendedorismo

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Aburocracia em Portugal é um dos grandes obstáculos ao desenvolvimento do país. Veja-se o Diário da Républica. Uma verdadeira instituição do centralismo e da burocracia com que somos inundados todos os dias. Já Schumpeter em 1950 dizia que o método burocrático e a atmosfera moral que ele espalha exerce uma influência depressiva em todos aqueles que têm mentes mais activas e criativas. É um facto que as organizações burocráticas (Estado, Igreja e grandes empresas) criam frustação nos indivíduos que pretendem perseguir novas ideias, estes criam perturbação no clima organizacional e a organização perde oportunidades e vantagens competitivas das inovações que são criadas no seu próprio interior, mas que são travadas por irem contra o statu quo ou os interesses de algum lobby interno.

A organização burocrática, através da especialização de funções, da rotina de actividades e do desenvolvimento interno de carreiras limita sobremaneira o processo empreendedor.

As organizações burocráticas têm grande divisão do trabalho, mas os empreendedores e os empregados de PME têm de desenvolver um conjunto variado de problemas, por isso a sua divisão do trabalho é mais flexível. Quadros sem experiência de problemas variados têm dificuldade em tomar iniciativas empreendedoras que exigem uma perspectiva mais alargada do que as suas experiências profissionais anteriores. A especialização do trabalho nas organizações burocráticas também limita o conhecimento e a exposição com o ambiente externo, de identificar oportunidades e ter acesso a uma rede de clientes, fornecedores e parceiros de negócio. Os empregados de grandes organizações burocráticas têm mais experiência de lidar com problemas de coordenação e controlo de funções internas que com oportunidades empresariais.

Com a rotina de actividades as organizações procuram melhorar a eficiência das tarefas, mas os empregados encarregues destas tarefas acabam por ficar limitados nas suas funções, acabando este sistema por ter um impacto na sua personalidade e na limitação da sua capacidade empresarial.

Por último, a existência de planos de carreira e a possibilidade de progredir internamente nessa carreira aumentam o custo de oportunidade de sair da organização para criar o seu próprio negócio. Mas também os quadros que vão subindo na carreira têm mais funções de supervisão e monitorização de empregados e há estudos que evidenciam que esta actividade acaba por reduzir a flexibilidade intelectual e aumentar a conformidade social, reduzindo assim a sua capacidade empreendedora.

É a frustação que pessoas empreendedoras ganham nas grandes organizações e a incapacidade de lidarem internamente com essa frustação que as levam o mais das vezes a criarem a sua própria empresa. C

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