O presidente francês, Emmanuel Macron, assistiu este domingo à noite a uma reunião de crise no Eliseu, tendo sido informado da evolução dos motins dos últimos dias. À quinta noite, de sábado para domingo, a situação esteve mais calma do que na véspera, mas ainda assim um ataque à casa de um autarca dos arredores de Paris causou comoção. "Inaceitável", disse a primeira-ministra Élisabeth Borne, prometendo "firmeza" contra os responsáveis..O presidente francês cancelou a visita de Estado que tinha previsto começar este domingo à Alemanha por causa dos motins, que começaram na terça-feira após a morte de Nahel - um jovem de 17 anos que foi atingido a tiro pela polícia após recusar parar num controlo policial, em Nanterre. Macron esteve na reunião de crise com Borne e sete ministros, entre eles o do Interior, Gérald Darmanin, não tendo feito declarações no final..Ainda antes do encontro, Darmanin anunciou o destacamento de 45 mil polícias e guardas pela terceira noite consecutiva. Disse ainda ter dado "instruções firmes" para que "as detenções sejam efetuadas o mais rapidamente possível", procurando evitar maiores confusões. Os transportes, nomeadamente autocarros e elétricos, continuam a parar a partir das 21.00 na região parisiense..A quinta noite de motins após a morte de Nahel, na terça-feira, foi mais calma do que as anteriores. Mas os ânimos continuaram quentes, particularmente em Marselha - onde a violência só começou na sexta-feira à noite. Ainda assim, houve 719 detenções em todo o país (quase metade das registadas na véspera). Os detidos até agora têm sido alvo de julgamentos sumários, com os maiores de idade a serem condenados a três ou quatro meses de prisão e os menores a receberem uma ação "educativa", com os pais a terem que indemnizar eventuais vítimas dos filhos..Além das detenções, houve registo na noite de sábado para domingo de 577 veículos e 74 edifícios incendiados, assim como 871 fogos na via pública. Um total de 45 polícias e guardas ficaram feridos, segundo o balanço do Ministério do Interior. Apesar dos números apontarem para uma noite mais calma do que a anterior, ainda assim houve um incidente grave a registar, em Val-de-Marne..A casa do autarca de L"Haÿ-les-Roses foi atacada durante a noite. Um carro (que terá sido roubado) foi incendiado e lançado contra a propriedade, onde estavam a mulher e os dois filhos menores de Vincent Jeanbrun, eleito pel"Os Republicanos. O autarca estava na câmara a lidar com mais uma noite de violência. A mulher, na fuga, fraturou uma tíbia e teve ontem que ser operada e os filhos ficaram em choque. Foi aberto um inquérito por tentativa de homicídio e a Associação de Autarcas Franceses convocou um protesto para esta segunda-feira em todas as autarquias do país, para condenar a violência. .Diante de mais uma noite de violência, a avó de Nahel apelou à calma. "Peço às pessoas que estão a destruir coisas que parem. Que não partam montras, que não destruam escolas, nem os autocarros. Parem! São as mães que apanham os autocarros, são as mães que agora têm que andar", referiu Nadia aos microfones da BFMTV. "Queremos que as pessoas fiquem calmas. Nahel está morto. A minha filha só teve um filho, está perdida, acabou. A minha filha não tem mais vida. E a mim, eles fizeram-me perder a minha filha e o meu neto", acrescentou, dizendo-se "cansada" da situação..susana.f.salvador@dn.pt