7 dias, 7 propostas por Milhanas

Nascida em 2001, Carolina Milhanas está prestes a lançar o seu primeiro álbum, do qual já se conhecem duas músicas: <em>Mais do que ao Sol</em> e <em>Lamentos</em>. Filha de Vítor Milhanas, compositor e músico que acompanha Fausto, a quem elege como um das suas principais influências. Em 2022 interpretou <em>Corpo de Mulher</em> da autoria de Agir. Estas são as suas sugestões para os próximos sete dias.
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1. Ar Livre
Moinho Dom Quixote
Domingo, 19 de fevereiro

Domingo é um ótimo dia para visitar o Moinho Dom Quixote. Descoberto em Outubro de 1983 como ruína, o Moinho passou por seis anos de construção e só foi aberto no verão de 89, no Cabo da Roca, o ponto mais ocidental da Europa.
É um lugar calmo, muito bonito e com uma vista incrível para o mar. Servem brunches, almoços e jantares e possuem uma ementa variada com sabores de diferentes origens e países.

2. Filme
Restos do Vento
Segunda-feira, 20 de fevereiro

Na segunda-feira recomendo-vos a assistirem ao filme Restos do Vento (HBO)de Tiago Guedes.
Uma tradição pagã numa vila do interior de Portugal deixa traços dolorosos num grupo de jovens adolescentes. 25 anos depois, ao reencontrarem-se, o passado ressurge e a tragédia instala-se.
O filme, a meu ver, conta e explora a forma como a violência se move sem culpa, cegando e destruindo, passo a passo, a inocência.

3. Música
Fado na Mesa de Frades
Terça-feira, 21 de fevereiro

Na terça-feira convido-vos a visitarem a Mesa de Frades, uma das casas de fado, onde há fado efetivamente.
Localiza-se numa pequena capela de um velho palácio de Alfama, na Rua dos Remédios.
A Mesa de Frades é um lugar onde o silêncio pura e simplesmente acontece, aproximando e tornando absoluta a relação entre o fadista e o ouvinte.
Na terça-feira canta a maravilhosa Beatriz Felício, uma das que, para mim, é a voz da sua geração.

4. Teatro I
A Morte do Corvo
Quarta feira, 22 de fevereiro

A Morte do Corvo foi das melhores peças que vi serem feitas em Portugal nos últimos tempos.
Com direção artística de Nuno Moreira, encenação de Ana Padrão e direção coreográfica de Bruno Rodrigues, a Morte do Corvo é um espetáculo imersivo que conta uma estória passada em 1924, que cruza dois grandes poetas - Fernando Pessoa e Edgar Allan Poe - ligados por uma obra emblemática de Poe, traduzida por Pessoa, O Corvo - The Raven.
A peça decorre no antigo hospital militar da Estrela e contacom um elenco de nove personagens que vagueiam por um espaço de dois mil metros quadrados.

5. Teatro II
Pulmão, Teatro Meridional
Quinta feira, 23 de fevereiro

Quinta feira convido todos os que não tiverem ainda oportunidade, a assistirem à peça Pulmão, com texto original de Ducan Macmillan e encenação de Ana Nave.
A peça retrata aquilo a que qualquer pessoa se remete só pelo simples facto de existir. A dúvida, o medo, o caos...
"Duncan Macmillan propõe-nos uma viagem acelerada pelo tempo de vida de um casal. Uma montanha russa emocional despoletada pela questão de ter ou não ter um bebé. "(...)" A poética do texto assente num linguajar quotidiano rápido, pleno de sobreposições e banalidades, parece apontar para um questionamento existencial, mas também posicionar-nos enquanto indivíduos pertencentes a uma espécie animal em risco de extinção."(..)"

6. Arte I
Metamorfoses, Cindy Sherman
Sexta-feira, 24 de fevereiro

Sexta feira proponho uma visita a Serralves, no Porto, para ficarem a conhecer a exposição da Cindy Sherman: Metamorfoses.
"Sobretudo conhecida por imagens em que se retrata como modelo da sua própria obra, encarnando o papel de estereótipos femininos convencionados pelos média num vasto leque de personagens e ambientes, Cindy Sherman fotografa sozinha no seu estúdio, atuando como diretora artística, fotógrafa, maquilhadora, cabeleireira e intérprete do papel a desempenhar.""(...)"
Para esta ambiciosa apresentação em Serralves, as salas do museu sofrerão uma radical transformação, criando um cenário teatral para acolher o storyboard que as fotografias da artista compõem.

7. Arte II
Museu Nacional do Azulejo
Sábado, 26 de fevereiro

Sábado aconselho imensamente a visita ao Museu Nacional do Azulejo para conhecer o mundo de António Vasconcelos.
"O título desta exposição, Viagens, foi escolhido pelo próprio, para conferir unidade à imensa diversidade da sua obra cerâmica: painéis de azulejos, altos e baixos-relevos, peças tridimensionais de caretas risonhas, cabeças de animais, instalações que brotam dos espaços, árvores que se elevam, flora e faunas exóticas."

filipe.gil@dn.pt

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