7 dias, 7 propostas por Francisco Camacho

Autor dos romances <em>Niassa</em>, distinguido com o Prémio P.E.N. Clube na categoria Primeira Obra, e de <em>A Última Canção da Noite</em>, Francisco Camacho foi jornalista durante vinte anos. Recebeu o Prémio do Clube Português de Imprensa (revelação) e o Prémio Fernando Pessoa de Jornalismo (Fundação Mapfre Vida). É também editor do Grupo Leya na área de não-ficção e acaba de lançar um novo livro:<em> O Monte do Silêncio</em>. Estas são as suas sugestões para os próximos sete dias.
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1. Ouvir I

The Music of Morricone, Zimmer and Williams
Royal Film Concert Orquestra - Coliseu de Lisboa
Domingo, 12 de Novembro

Épico. Menos do que isto será esperar pouco do espetáculo que promete fazer estremecer os alicerces do Coliseu de Lisboa neste domingo: composições de três dos melhores compositores de bandas-sonoras de todos os tempos interpretadas pela Royal Film Concert Orquestra. São eles o italiano Ennio Morricone, o norte-americano John Williams e o alemão Hans Zimmer. Pelo palco do Coliseu vão desfilar interpretações de músicas de alguns dos filmes mais populares de todos os tempos, como O Bom, o Mau e o Vilão, Cinema Paraiso, Novecento, E.T. - o Extraterestre, A Guerra das Estrelas, Indiana Jones, Parque Jurássico, Pirata das Caraíbas, Gladiador, Harry Potter, Sherlock Holmes e outros recordistas de bilheteira. Se em alguns casos uma imagem vale mais do que mil palavras, certas imagens não teriam a mesma força sem a música que as acompanha. Um concerto com emoções fortes.

2. Ouvir II
Wim Mertens e Francisco Sassetti
Casa da Música, Porto
Segunda-feira, 13 de Novembro

Wim Mertens regressa ao nosso país no âmbito do festival Misty Fest. Compositor, pianista, violoncelista, cantor e musicólogo, o génio belga apresenta-se na Casa da Música, no Porto (e três depois no Casino Estoril), com um novo trabalho, Voice Of The Living, em que homenageia as vítimas da guerra. Neste concerto, uma boa oportunidade para ouvir ao vivo um dos músicos mais inventivos e talentosos dos últimos quarenta anos, com uma discografia marcada pelo minimalismo e que se estende por dezenas de álbuns, Mertens vai fazer-se acompanhar por um instrumentista de sopro. Do serão também fará parte a estreia ao vivo do primeiro álbum do pianista Francisco Sassetti, no qual figuram várias composições escritas na sequência da morte trágica do seu irmão, o também pianista Bernardo, em 2012.


3. Ver I
A Grande Fantochada , Hugo Van der Ding - Teatro Maria Matos, Lisboa
Terça-feira, 14 de Novembro

A partir do momento em que se revelou com as imperdíveis tiras de A Criada Malcriada, na revista Sábado, já lá vão uns bons anos, Hugo Van der Ding afirmou-se com um dos maiores e mais originais humoristas portugueses. Continua a desenhar uma vasta galeria de personagens (que deliciam os seus seguidores nas redes sociais e foram reunidas no livro O Lixo na Minha Cabeça) e pode ser ouvido diariamente nas manhãs animadas da Antena 3. O talento de Hugo também já conquistou os palcos. A sua mais recente peça intitula-se A Grande Fantochada. Depois do genial Vamos Todos Morrer, podcast que originou dois livros e um espetáculo de grande sucesso, Hugo van der Ding volta a fazer uma peregrinação bem-humorada pela história, desde vez na companhia de marionetas e de um piano de brincar. Recomenda-se vivamente.

4. Ler
Geração Z, de Ian Garner
Quarta-feira, 15 de Novembro

A guerra no Médio Oriente fez passar para segundo plano uma outra que eclodiu há quase dois anos e cujas consequências para o equilíbrio internacional são tão ou mais perigosas. As bombas de Putin estão hoje, mais do que nunca desde o início da invasão da Ucrânia, a passar entre os pingos da chuva - razão acrescida para que não percamos de vista os ventos que se formam a partir de Moscovo. Ian Garner, um historiador britânico que estudou em São Petersburgo e observa há vários anos a adesão generalizada ao militarismo na Rússia, traça um panorama preocupante sobre as novas gerações naquele país . Em Geração Z, um livro escrito num registo mais jornalístico do que académico, retrata o domínio avassalador da narrativa do Kremlin sobre as crianças e jovens russos e conta-nos de que forma esse discurso violento e apocalíptico inunda redes sociais, paradas militares e milícias imberbes que acicatam um feroz sentimento de aversão ao Ocidente nos russos de amanhã. A ler.

5. Ver II
Cancel Culture Comedy - Teatro Bocage, Lisboa
Quinta-feira, 16 de Novembro

Este programa não posso recomendar, porque simplesmente não conheço, mas não resisto pelo menos a noticiar o que me parece uma saudável provocação nestes tempos de suscetibilidades exacerbadas. Trata-se de um espetáculo de stand-up comedy que, tal como o nome indica, não se destina a quem se ofende facilmente. A estrela da noite chama-se Victor Pãtrãşcan e é apresentada como um «pretenso comediante» e «ultrajante critico social», que já atuou perante uns milhares de pessoas em 70 cidades de 27 países e terá feito furor com o espetáculo O problema de ter nascido romeno. Os organizadores prometem um «espaço seguro» para a comédia e «piadas que facilmente provocariam» despedimentos com justa causa. Um sinal dos tempos que, no mínimo, não deixa de despertar curiosidade.


6. Ouvir III
Buster Williams and Something More
Centro Cultural Vila Flor, Guimarães
Sexta, 17 de Novembro

O nome de Buster Williams sobressai do cartaz do Guimarães Jazz. No currículo do lendário contrabaixista de 80 anos, que atua ao vivo desde os 17, encontramos colaborações com figuras como as divas Betty Carter e Sarah Vaughn, o baterista Art Blakey, o saxofonista Dexter Gordon ou o pianista Chick Corea, só para citar um punhado de exemplos, entre tantos outros possíveis. De resto, o gigante que mais marcou a carreira de Williams não foi nenhum destes, mas sim Herbie Hancock, com quem desenvolveu uma parceria duradoura que ajudou a desbravar caminhos no jazz de fusão. Hancock foi, aliás, um dos membros originais da banda com que Buster Williams vai tocar neste edição do Guimarães Jazz, os Something More, agora formados pelo veterano Steve Wilson (sax) e pelos jovens talentos Tommaso Perazzo (piano) e Marcello Cardillo (bateria).


7. Ver III
The Lost Flowers of Alice Heart
Amazon Prime
Sábado, 18 de Novembro


Os canais de streaming já viram melhores dias, ou então é apenas o efeito de novidade que se desvaneceu - seja como for, ainda se descobrem umas boas pérolas. Esta chama-se The Lost Flowers of Alice Heart, é baseado no romance homónimo de Holly Ringwald, passa-se na Austrália e tem Sigouney Weaver num dos papéis principais. O tema: os abusos exercidos pelos homens sobre as mulheres. A série mata dois coelhos de uma cajadada (se é que ainda se pode usar esta expressão sem receio de termos a IRA a perna): passa uma mensagem fundamental e é uma belíssima obra de ficção televisiva. As interpretações são competentes, a fotografia brilhante e o enredo suficientemente complexo para avançarmos com curiosidade pelos sete episódios. Ideal para um fim de semana de inverno.

filipe.gil@dn.pt

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