1939-1989-2009

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A lista das datas mais importantes da Segunda Guerra Mundial é longa. Os franceses, os ingleses e os americanos celebram de forma solene o D-Day - o dia do desembarque das forças aliadas, sob o comando do general Eisenhower, na Normandia. Os russos comemoram o dia da vitória de 9 de Maio de 1945. Para os polacos, é o 1 de Setembro de 1939, ou seja, o dia do início da Segunda Guerra Mundial, na qual a Polónia perdeu quase seis milhões dos seus cidadãos.

Quando os soldados americanos e britânicos desembarcaram nas praias da Normandia, os polacos entravam no sexto ano de ocupação sangrenta, que tinha começado no dia 1 de Setembro de 1939 com um ataque do cruzador alemão Schleswig-Holstein às fortificações polacas de Westerplatte. Os polacos que lutaram durante todo o mês de Setembro contra as esmagadoras forças nazistas esperavam, sem êxito, um apoio militar por parte dos seus aliados britânicos e franceses. Varsóvia desconhecia que no dia 23 de Agosto de 1939 em Moscovo, os ministros dos negócios estrangeiros da Alemanha nazi, Joachim von Ribbentrop, e da Rússia soviética, Vyacheslav Molotov, assinaram um protocolo confidencial ao Pacto Germano-Soviético de Não Agressão. Com base neste protocolo a Polónia foi dividida entre a Rússia e a Alemanha, sendo que a Finlândia, os países bálticos e, parcialmente, a Roménia foram também abrangidos pela esfera de influência soviética. O destino da Polónia fora decidido. Ganhando um aliado tão poderoso, Hitler já não receava a aliança antialemã. No dia 17 de Setembro, as tropas polacas, empurradas pelas forças alemãs a sudeste da Polónia, foram atacadas do lado leste pelo exército soviético.

Os polacos resistiram aos ocupantes durante toda a guerra, organizando um exército secreto na Polónia (Armia Krajowa), bem como várias unidades de combate na França, na Grã-Bretanha e na União Soviética, após o ataque de Hitler em 1941. Por que razão os polacos lutaram de forma tão feroz e sem compromissos durante toda a Segunda Guerra Mundial? De onde vinham as suas forças para poderem organizar, apesar das enormes perdas, unidades militares em vários palcos de combate contra o nazismo? Além da luta óbvia contra o opressor, o pensamento político que movia os esforços polacos foi o do fortalecimento dos argumentos a favor da libertação da Polónia da esfera de influência soviética após o fim da guerra. Os polacos alcançaram este objectivo apenas 50 anos depois, em 1989, quando em Varsóvia foi constituído o primeiro governo democrático pós-guerra.

Embora os factos históricos sejam explícitos, a sua interpretação em várias capitais europeias diverge. Mais alegria traz, assim, a resposta positiva de muitos líderes ao convite do primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, para a participação nas comemorações do septuagésimo aniversário do início da Segunda Guerra Mundial, a 1 de Setembro de 1939. Além da chanceler alemã, Angela Merkel, e do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, a presença nas cerimónias comemorativas já foi confirmada por muitos líderes de países que participaram na guerra. Este encontro será, portanto, um acontecimento sem precedentes, não apenas nas relações germano-polaco-russas, mas também na história europeia do pós-guerra. Os representantes da sociedade civil também contribuem para a preservação da memória. A carta assinada por 140 intelectuais alemães - que evoca a necessidade de uma explicação contínua da importância do Pacto Ribbentrop-Molotov para a história europeia contemporânea, sobretudo para a parte que, finda a guerra, caiu sob a esfera de influência soviética - constitui um gesto simbólico importante. Estes gestos e acções, provenientes de instituições e círculos não governamentais, têm um enorme significado para a aproximação de posições perante uma história comum e dolorosa. O melhor exemplo desta atitude foi a carta dos bispos polacos dirigida aos bispos alemães, datada de 1965, "Perdoamos e pedimos perdão", que em grande parte contribuiu para a reconciliação germano-polaca. Este espírito de reflexão e de abertura vai, sem dúvida, unir todos os participantes nas cerimónias comemorativas do dia 1 de Setembro em Gdansk.

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