Lisboa continua a ser cais de abrigo para muita gente do mar, mas a marcha deste ano vai evocar os marinheiros que se abrigavam em Lisboa à procura do conforto de terra. O tema pode confundir-se com o que escolheu o Bairro Alto. Mas, há uma diferença fundamental: S. Vicente vai recordar sobretudo os oficiais que procuravam no bairro as famílias de média e alta burguesia que ali residiam. Soldados rasos ficam de fora. Cristina Areia e Ricardo Castro são os padrinhos que vão ajudar os participantes a alcançar a segunda vitória na história das marchas. A primeira e única foi em 1940..Vermelho, a descair para o bordeaux, preto, e muitos dourados são as cores de eleição. .O grupo de 48 marchantes, mais os dois suplentes, foram ensaiados por Susana de Lacerda, a coreógrafa, tendo sido mais fácil arranjar elementos masculinos do que femininos. "Houve menos inscrições de mulheres", explicou ao DN António Barata, o representante da Academia Recreativa Leais Amigos, a entidade organizadora da marcha..Aguardando a chegada dos seus amores e olhando o Cais das Colunas, as raparigas de S. Vicente esperam com ansiedade o namoro das amaras e âncoras como que num abraço apertado, dizendo "Voltai Amor" e com os olhos lacrimejando alguma diz " Ei-los!, Ei-los! O meu capitão-mor, que é capitão de mar, chega e comigo há-de casar na noite.de Sto António!" As músicas são de Mário Raínho e as letras de Joana Ferreira, e prometem pôr Lisboa inteira a dançar.