'No Coração de Chernobyl' recorda o acidente nuclear

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A 26 de Abril de 1986, o reactor número quatro da central nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, sofreu o maior acidente conhecido na história. Um documentário, intitulado No Coração de Chernobyl, que o canal por cabo Odisseia transmite hoje, recorda o fatídico desastre que deixou marcas na região afectada.

Com a explosão da estação de Chernobyl foram enviadas 190 toneladas de urânio radioactivo e grafite para a atmosfera, obrigando à retirada de 120 mil pessoas de uma região correspondente a uma zona de 30 quilómetros ao redor da central.

O reactor nuclear esteve a arder durante dez dias, e os materiais radioactivos viajaram com a chuva e o vento para zonas longínquas da Rússia, Bielorrússia e Ucrânia.

Os impactes secundários do acidente radioactivo incluíram a evacuação desordenada da região, o aumento pronunciado do número de abortos, a dificuldade na obtenção de documentos que permitissem a retirada dos indivíduos que viviam nas cidades próximas da central e nas cidades vizinhas (área de contaminação radioactiva) e a sua aceitação em outras regiões, e os cuidados médicos insuficientes e inadequados.

À semelhança de outros desastres tóxicos e radioactivos, o acidente em Chernobyl teve como consequência o surgimento de uma população que vive ameaçada, por doenças ou pela discriminação.

Uma das consequências do acidente da central nuclear foi o aumento progressivo dos casos de cancro da tiróide (especialmente nas crianças), problemas do coração ou deformações congénitas.

No acidente e nas tentativas para apagar o incêndio morreram 32 pessoas, e outras 38 faleceram por causa das radiações a que foram sujeitas ao longo dos meses que se seguiram ao desastre.

A radioactividade espalhou-se por todo o Norte da Europa, onde muitos animais e plantas passaram a registar maior radioactividade. Contudo, não existem elementos que comprovem que pessoas que habitavam em países fora da União Soviética tenham ficado doentes por causa do acidente.

É possível que se tenha verificado um aumento do número de cancros nesses países do Norte da Europa, cuja causa não foi detectada e que pode ter relação com o acidente de Chernobyl, mas não existem provas que confirmem esta hipótese. Até porque o aumento do número de cancros nesses países pode ter outras causas.

A Ucrânia e a Bielorrússia, então integradas na URSS, foram os países mais afectados e, 19 anos após o desastre nuclear, ainda há lá muitas pessoas que sofrem as suas consequências.

No que diz respeito à política ambiental, o acidente de Chernobyl inaugurou uma nova era na contestação da energia nuclear e obrigou os governos de todo o mundo a melhorar a segurança nas centrais nucleares.

O filme No Coração de Chernobyl, realizado por Maryann De Leo, recebeu o Óscar de melhor documentário em 2003.

Neste documentário, Adi Roche, fundadora do Projecto Irlandês para as Crianças Afectadas por Chernobyl, investiga o impacte do desastre nos hospitais, orfanatos, hospitais psiquiátricos e nas aldeias evacuadas.

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