Duas notícias numa. Primeira: fora do palco há quatro anos, Eunice Muñoz volta no papel titular de Miss Daisy, segundo a peça Driving Miss Daisy, de Alfred Uhry, popularizada pelo filme de Bruce Beresford. António Barahona traduziu a peça do dramaturgo norte-americano, a estrear dia 29, numa encenação de Celso Cleto, no Teatro Municipal Eunice Muñoz, Oeiras. Segunda: a cidade contará também com um Centro de Artes Dramáticas Eunice Muñoz..Ontem, num hotel de Oeiras, foram dadas as novidades, em conferência de imprensa com participação dos principais envolvidos nos projectos, incluindo o presidente da Câmara, Isaltino Morais. O DN ouviu Eunice Muñoz e Celso Cleto, também director artístico anunciado para o novo equipamento. ."Muito feliz" por regressar a um palco - que não pisava desde A Casa do Lago, no Politeama (2002) -, "sempre outra coisa para qualquer actor, sem nada a ver com a televisão", Eunice conta-nos que Celso "teve a ideia" e a entusiasmou. "Além de gostar de voltar ao teatro, gostaria de ser dirigida" pelo encenador, cujos trabalhos tem acompanhado e aprecia. Nos preparativos finais para vestir a pele da velha senhora judia americana sulista, racista, "mais ainda, muito preconceituosa e sobretudo em matéria religiosa", sempre a rabujar com o seu motorista negro, Eunice diz-se ainda tocada, em especial, por trabalhar no teatro que tem o seu nome e não só a "fazer um recital, umas coisinhas"..A grande diferença de idades e experiências, entre si e o encenador, traduz o que a actriz considera a sua "disponibilidade". "Essa já me acompanha há muitos anos", lembra, citando precedentes como João Perry (Zerlina), que conheceu criança, tendo trabalhado com seu pai, bem como João Lourenço (Mãe Coragem, O Caminho para Meca). Para Celso Cleto, "tem sido um prazer dirigi-la" e raramente discordam, conseguindo "tirar o maior partido do texto". .O director do grupo Teatro Público vê em Miss Daisy "o primeiro pilar do projecto do Centro de Artes Dramáticas a abrir em 2007", com direcção artística inicial sua. Equipamento com orçamento previsto de 500 mil euros/ano, em parceria municipal-estatal (Ministério da Cultura) e de "alguns privados".