Um verdadeiro ícone do jornalismo brasileiro não mais estará nas bancas. O tradicionalíssimo Jornal do Brasil (JB), de Nélson Tanure, deixará de ter edição impressa pra passar, a partir de 1 de Setembro, a existir apenas na versão online. . O Jornal do Brasil tem 119 anos, o que, para um país de apenas 510 anos, é bastante significativo. O fim do jornal impresso, no entanto, não retrata uma crise geral, apenas um problema particular. Afinal, a tiragem dos jornais brasileiros está a subir 1,5% nos primeiros meses de 2010, em relação a igual período de 2009. Trabalham no Jornal do Brasil 60 jornalistas, número que deverá diminuir quando cessar a edição impressa. A dívida do jornal é de 40 milhões de euros..Durante muitas décadas, este jornal, editado no Rio de Janeiro, foi o mais lido no Congresso e um dos líderes de tiragem em todo o país, sob o comando da família Pereira Carneiro. No entanto, dois factores abalaram a publicação: má gestão e independência em relação ao regime militar, que durou de 1964 a 1985. .Desde a eclosão do período militar, o concorrente da mesma cidade, O Globo, cresceu a olhos vistos e criou a lucrativa subsidiária TV Globo em 1965, já na era militar. No entanto, não se pode atribuir apenas aos militares o fim do JB, pois Estado de São Paulo e Folha de São Paulo sempre foram independentes e conseguiram sobreviver ao regime de excepção. O Estadão chegou a sofrer censura mais forte e continua vivo. Ninguém sabe até que ponto o Jornal do Brasil caiu por não compactuar com o regime ou por má gestão..Em 2001, o próspero empresário da área de petróleo e estaleiros Nélson Tanure arrendou o jornal. Queria criar um império jornalístico e assumiu a também deficitária Gazeta Mercantil - jornal de economia que já fechou - e a edição brasileira da americana Forbes - que também não já não circula no Brasil. .A um interlocutor, ouvido pelo DN, Tanure disse que fez investimentos pesados no JB, mas, como não conseguiu resultados, resolveu não tirar dinheiro das suas empresas lucrativas para investir no jornal. Tanure trocou o formato standard por berliner, para economizar com papel e sempre negou o fim do jornal. Até agora, em que se viu obrigado a anunciar o fim da edição impressa. .O JB foi o pioneiro a dispor do seu material na Internet, entre os jornais brasileiros. Agora, esse será o seu único contacto com o público. A tiragem do JB era de 17 mil exemplares em dias de semana e 22 mil aos domingos, menos de 10% da tiragem que havia alcançado nos seus anos de sucesso.