'Homem que é Homem Não Bate na Mulher' contra violência

A Organização das Mulheres de Cabo Verde (OMCV) vai organizar na quinta-feira, Dia da Mulher Cabo Verdiana, a marcha "Homem que é Homem Não Bate na Mulher", visando combater a violência baseada no género.
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Em declarações aos jornalistas, Idalina Freire, presidente da OMCV, indicou que a iniciativa insere-se na campanha que a instituição lançou recentemente para sensibilizar a população cabo-verdiana, sobretudo os homens, para um dos problemas que mais afetam a sociedade local.

O Dia da Mulher Cabo-Verdiana, cujo tema deste ano é a violência sexual, celebra-se em várias cidades do país desde 1981, ano da criação da OMCV, para combater a violência contra a mulher, que representa uma percentagem significativa da criminalidade em Cabo Verde.

Na campanha de sensibilização, lembrou Idalina Freire, dão a cara figuras políticas, incluindo o primeiro-ministro, José Maria Neves, judiciais e académicas.

Idalina Freire salientou hoje os avanços já alcançados em Cabo Verde, com a aprovação em 2011 da Lei contra a Violência Baseada no Género, que permitiu encorajar as vítimas a procurarem ajuda e a denunciar os agressores.

"A OMCV orgulha-se por ver que, da luta solitária que fazia antes pelos direitos da mulher, hoje, é toda a sociedade cabo-verdiana que está a mobilizar-se nesta causa", sublinhou Idalina Freire.

Também hoje, Cristina Fontes Lima, ministra da Saúde cabo-verdiana e "madrinha" da campanha da OMCV, defendeu que ninguém tem o direito de bater numa mulher, seja em que circunstância for, e condenou os que fazem disso uma prática comum.

"Não se deve esconder o sol com a peneira, porque essas situações estão a acontecer na nossa sociedade. Temos situações de violência de mulheres contra homens, mas é ainda contra as mulheres que teremos que continuar a denunciar, porque ninguém tem direito de bater numa mulher, qualquer que seja a razão", sublinhou, frisando que a campanha em curso "não é a promoção do machismo".

"Neste «Março-Mês da Mulher», saúdo os homens que têm a perspetiva de que é preciso a igualdade do género, porque esta campanha é um novo código de honra para os homens", sustentou.

Além da marcha, o Dia da Mulher Cabo-Verdiana contará também com uma série de iniciativas de cariz político, cultural e recreativo por todo o arquipélago.

Os últimos dados oficiais, relativos a 2012, indicam que a violência baseada no género representou 90% do aumento global de 10,3% da criminalidade registada em Cabo Verde.

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