Poucos jornais brasileiros têm tanta tradição de luta pela liberdade como O Estado de São Paulo, que está a completar 130 anos. No início era A Província de São Paulo, tendo mudado o nome em 1889, após a queda da monarquia e instauração da república. Independente - tem apenas a rádio Eldorado e o Jornal da Tarde, além da Agência Estado - o Estadão tem como marca a luta pela liberdade e, em diversas ocasiões, sofreu o exílio dos seus directores, todos da família Mesquita..A primeira edição saiu com quatro páginas e 2025 exemplares, a 4 de Janeiro de 1875. No início do século XX, o jornal contratou Euclides da Cunha para relatar a guerra de Canudos (entre gente pobre do Nordeste e os exércitos federais), tendo daí saído a obra-prima da literatura brasileira Os Sertões. Colaboraram no jornal escri- tores como Raul Pompéia e o especialista em livros infantis Monteiro Lobato. O poeta Olavo Bilac também escreveu regularmente para o jornal..Durante a I Guerra Mundial, o director Júlio Mesquita apoiou os aliados, o que fez com que empresas alemãs boicotassem publicitariamente o jornal. Em 1924, Júlio Mesquita foi preso pelas tropas federais. Em 1932, quando o povo de São Paulo se insurgiu contra a política central, os directores Júlio de Mesquita Filho e seu irmão Francisco Mesquita foram presos por ordem do ditador Getúlio Vargas e enviados para o exílio em Portugal. .No Estado Novo, Júlio de Mesquita Filho foi preso 17 vezes. Em Março de 1940, soldados da Força Pública ocuparam o jornal, alegando que os seus proprietários armazenavam metralhadoras para derrubar o Governo. O jornal passou cinco anos e meio sob intervenção. A empresa resolveu não incluir esse período na sua história, razão pela qual o jornal anuncia que tem 130 anos, dos quais apenas 125 como empresa livre. A independência voltou em Dezembro de 1945. .No regime militar, até adversários reconheceram o papel do Estadão. Enquanto boa parte da imprensa reverenciava os militares, o jornal da família Mesquita não aceitou a censura. No lugar dos textos censurados publicava poesia ou receitas de bolos para chamar a atenção. Em 1974, o jornal ganhou o Prémio Pena de Ouro para a Liberdade, atribuído pela Federação Internacional dos Editores de Jornais a quem se destaca na defesa da liberdade de imprensa.