Que grandes opções estratégicas vai tomar nesta nova fase da PTM?.Estamos numa fase de análise dessas opções. Há uma área muito importante que é o crescimento da base de clientes. Hoje, a PT Multimédia tem mais de 2,5 milhões de casas cabladas [onde chega a rede cabo], com 1,5 milhões de clientes. Temos mais 450 mil clientes por satélite. Na área de cabo, temos uma penetração de clientes de Internet na ordem dos 30%. A nossa estratégia vai de certeza passar por um crescimento muito sólido nessa área. Ambicionamos crescer muito rapidamente. .Tem alguma meta definida em termos de número de clientes?.Ainda é cedo. Estamos aqui há oito dias. Não é realista estar agora a antecipar números rigorosos. Outra área onde queremos crescer é a da voz. A voz sobre Internet da TV Cabo foi lançada há muito pouco tempo. Se olharmos para métricas europeias dos operadores da rede cabo, sabemos que temos uma ambição muito maior em termos de voz e Internet sobre cabo. Há uma coisa importante: a PTM é a única operadora que tem uma oferta de triple play [televisão, Internet e voz] estável e generalizada a todo o País. .Que outras prioridades tem para a PTM?.Vamos ser muito ágeis, quer na tomada de decisão quer nas implementações estratégicas. A satisfação do cliente vai ser o centro da nossa atenção, no sentido de criar uma relação que seja transparente. Queremos que o interface entre o cliente e a empresa se transforme e que esteja menos dependente do atendimento telefónico. Este é o reescrever da história da empresa. Não estamos dependentes de outros para fazer essa estratégia. Quando se está num grupo, a estratégia é feita na perspectiva desse grupo. Agora, estamos a viver um novo momento cultural da empresa. Juntaram-se as palavras independência e autonomia à cultura que já existia. Este é o resultado mais importante da OPA [oferta pública de aquisição lançada sobre a PT]. Acho que vai ser superimportante para o País e para os consumidores. As pessoas vão sentir definitivamente que vai haver mais uma empresa com força e dimensão no mercado. Mais concorrência significa mais benefícios e mais opções para o cliente final. .O crescimento orgânico é, portanto, um dos grandes focos....Temos um crescimento orgânico que está do outro lado da rua e podemos apanhá-lo. Não precisamos de estar a falar de projectos muito complexos quando temos um crescimento orgânico que está ao nosso alcance. A verdade é que podemos crescer facilmente em número de clientes. Temos uma oferta de triple play madura. Outra área importante e em que vamos apostar é na dos conteúdos. A presença nesta área enriquece muito a nossa oferta e a nossa capacidade de entrar em plataformas que começam a dar os primeiros passos como a mobile tv [televisão no telemóvel]. A parceria com a SportTV é também muito importante. Temos um leque de opções que nos permite chegar a todos os portugueses de diversas formas (televisão, cinemas, conteúdos...). Não descartamos qualquer opção de crescimento. .Poderá ser por aquisições?.Não descartamos qualquer hipótese, e essa é uma delas. Estamos a preparar as opções estratégicas com os accionistas. Vamos fazer isso no nosso conselho [de administração], com os nossos accionistas. Espero que nas próximas semanas tenhamos cá fora um plano estratégico sólido que reflicta a nossa ambição de crescer e que tenha em conta a nossa ambição de entrar em áreas novas que vão ser estratégicas para a nossa área de mercado..Essas novas áreas estão ligadas a que mercados, aos conteúdos?.Estão ligadas aos conteúdos e às telecomunicações. Sabemos quais são as nossas áreas de competência, sabemos que podemos expandir o nosso negócio e que isso pode não ser só feito em Portugal e não só através de crescimento orgânico. Também temos oportunidades que podem ultrapassar as fronteiras, não temos nenhuma limitação. Mais uma vez, a empresa é ágil, saudável, tem bons accionistas e espero que continue a atrair bons accionistas. O futuro, para nós, é muito risonho e temos uma belíssima equipa. É uma empresa que tem pela frente uma oportunidade de crescimento que é real..Pode crescer por aquisições, mas também pode ser adquirida. É uma empresa muito apetecível. Não tem receio de ser alvo de uma OPA?.Não é por ter receio que as coisas vão acontecer mais depressa ou não acontecer de todo. Portanto, temos de ter consciência de que as empresas são dos nossos accionistas. Somos uma empresa que está no mercado bolsista. Estamos sujeitos às regras do mercado. A partir do momento em que as empresas vivem no mercado, estão sujeitas às suas regras. Não há que dramatizar nada em relação ao nosso futuro. O drama seria se a nossa empresa não fosse interessante do ponto de vista de negócio, o que não acontece. Temos oportunidades pela frente. Quando esse interesse existe, haverá sempre apetite para entrar na empresa. Pode haver amanhã uma OPA, eventualmente, pode existir uma entrada de um accionista de referência. A realidade é que somos uma empresa que vai dar os primeiros passos como independente. Vamos estar sujeitos ao interesse ou desinteresse dos accionistas. Como se tem visto, o interesse existe, temos de olhar para isto sem qualquer dramatismo..Uma OPA não seria, então, necessariamente mau....Não estou a fazer um juízo de valor. Isso é mera especulação. Temos é de fazer um trabalho que mantenha o crescimento de valor da empresa. Esse trabalho é perfeitamente possível. Estamos numa mercado em expansão, estamos num negócio que tem a ver com a evolução do mundo. O nosso projecto é fazer crescer a PTM. Esse é o nosso foco, não é ver se a empresa A ou B está interessada em nós. Temos de nos focar em fazer crescer o nosso mercado. |