"Um dia iremos descobrir um planeta que tenha vida"

Entrevista a Nuno Cardoso Santos, Investigador do Centro de Astrofísica da Univ. do Porto.
Publicado a
Atualizado a

Como surgiu esta colaboração com as várias entidades que colaboraram na descoberta dos 32 novos planetas?

O projecto do HARPS é liderado pelo Observatório de Genebra. Ora, foi nessa cidade que tirei o meu doutoramento em Astrofísica. Sempre tive boas relações com as pessoas que trabalham lá. Já os conheço desde essa altura e já colaborei com eles várias vezes.

Também pode ser uma indicação de que a astronomia portuguesa é bem-vista no resto do mundo?

Não tenho dúvida nenhuma de que a astronomia portuguesa vai beneficiar com estas colaborações e descobertas. Aliás, isto é a prova de que em Portugal já é possível fazer--se tanto astronomia de ponta como, até, fazer-se ciência de ponta. O nosso país está cada vez melhor neste campo.

Estes 32 planetas agora descobertos poderão ter vida?

De acordo com o tamanho dos planetas descobertos [a maioria tem a dimensão de Júpiter, o maior planeta do sistema solar] acho muito difícil serem habitados por qualquer ser vivo.

Mas acha que mais tarde irá conseguir descobrir algum planeta com vida?

Estou quase certo disso. Cada vez se descobrem mais planetas com semelhanças com a Terra, como aconteceu neste caso. Por isso, mais cedo ou mais tarde, deverá aparecer algum planeta com seres vivos. Podem não ser os homenzinhos verdes que vemos na televisão, mas é provável que exista vida noutros planetas.

De onde é que lhe vem o interesse pelo espaço e pela astronomia?

Desde novo que me interesso pela astronomia. Aliás, quando era adolescente construí um telescópio amador, que usava para observar o espaço. Depois entrei no curso de Física na universidade. Mais tarde especializei-me em Astrofísica.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt