Muito contente, principalmente com a repercussão que está a ter. Antes da telenovela fica-se muito apreensivo. Como protagonista, o que dá mais trabalho é ler os episódios inteiros, na íntegra, saber o que acontece antes e depois da cena onde entro. As telenovelas da Glória Perez (autora de O Caminho das Índias) têm um lado bom para os protagonistas, porque as personagens são tantas que não fiquei assim com tanto trabalho. Dá para estudar com alguma calma..Sim, claro. Trabalho em média umas 10 horas. Há dias que trabalho de manhã até à noite durante 14 horas e outros que se grava um pouco menos..Sinto sim. Até sinto falta destas roupas no dia-a-dia. Estou contagiada pela personagem Maya. Às vezes vejo-me a colocar mais peças do que eu punha antes. É bom adornar-me..O que é bom nas telenovelas é ter também um papel cultural. Sou fã das telenovelas da Glória Perez por causa disso. Ela põe-nos a pensar, a aprender algumas coisas. A cultura indiana tem quatro mil anos, é riquíssima e cheia de coisas que não conhecemos. Só quando nos deparamos com o que é diferente da nossa realidade é que começamos a questionar- -nos sobre as certezas que temos. É um exercício muito válido..O respeito pela família. Aqui somos mais individualistas. Na Índia a família está muito presente na vida das pessoas. Eles nem fecham as portas das divisões das casas. O pai ou a mãe entram no quarto dos filhos a qualquer momento. A noção de individualidade, do público e do privado é muito diferente..Foi uma loucura. Gravámos sem muita preparação para não perder a naturalidade das ruas. Não queríamos ter figurantes em todas as cenas. Muitas vezes eu ficava a uma distância enorme das câmaras, por isso vinha a caminhar de longe e tínhamos de ultrapassar vários problemas. Às vezes aparecia uma vaca ou um elefante no caminho e tinha de continuar como se estivesse tudo bem. Actuei muito no improviso..Perguntavam de onde eu era e eu explicava que era brasileira. Mas muitas vezes achavam que eu era do Norte da Índia, porque sou menos morena. No Sul eles são mais escuros.. O jornalista viajou a convite da SIC