"Essa história de que homem não vê novela é mentira!"

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"Novela não é só coisa de mulher. Essa história de que homem não vê novela é pura mentira!" A frase é do actor brasileiro José de Abreu, que interpreta a personagem Josivaldo em Senhora do Destino, que a SIC exibe em horário nobre.

Para o actor, o segredo do sucesso da novela de Aguinaldo Silva, que bateu todos os recordes de audiência do lado de lá do Atlântico, está "na forma como soube captar o interesse do público masculino". "É uma história que não tem muita bunda, nem actores jovens muito bonitos e que vive de amores mais maduros. E é isso que cativou os homens", observa José Abreu.

O actor sublinha ainda os elevados índices de audiência junto das classes sociais mais altas, "apesar de não haver protagonistas muito endinheirados e a maior parte da acção se passar na Baixa da Fluminense, uma das zonas mais miseráveis do Brasil".

A "química existente entre a equipa" e "o cuidado com que foi feita toda a novela" são, na opinião do profissional, as razões do êxito de Senhora do Destino, que permitiu mesmo a suavização de algumas polémicas, como a inclusão de um casal de lésbicas na história. E, desta vez, ao contrário do que acontecera em Torre de Babel (1998), não foi preciso desfazer à pressa o casal de namoradas, devido à reacção do público. "O pessoal gosta muito de Leo e Jenifer, porque as imagens que a novela transmite são de amor, de tranquilidade", afirma. José de Abreu elogia, aliás, o momento em que as duas personagens se envolvem sexualmente, "numa cena muito bonita" que alterna com imagens "muito violentas e quase brutais de sexo" entre Josivaldo e Nazaré (Renata Sorrah). "Tivemos ali o contraponto entre uma cena puramente carnal, sem afecto, quase animal, e um momento de amor e cumplicidade." Um contraste que, segundo Abreu, valeu a aceitação popular da relação entre as duas mulheres.

Satisfeito com o rumo da sua personagem na obra, José de Abreu agradece ao autor o "melhor presente" que podia ter recebido. "O Josivaldo não é um mau carácter. Ele é um sem carácter, que é algo completamente diferente. Ele é um amoral, um marginal e vai acabar como mendigo nas ruas de Copacabana. Normalmente, os vilões morrem ou são presos. Eu prefiro este final, vou acabar com uma barba enorme, vagueando pelas ruas", explica.

De visita a Portugal para promover a novela, que termina na SIC no final do mês, o actor aproveitou para conhecer o verdadeiro Diário de Notícias, que este ano comemora 140 anos, e que tem na novela brasileira um clone de ficção. "O nome DiáriodeNotícias foi escolhido pelo director Aguinaldo Silva porque era o único título de imprensa não registado lá no Brasil", explicou ao DN, não contendo em seguida a exclamação "Isto sim, é uma grande redacção!"

HUMOR. Aproveitando a sua presença em Lisboa, José de Abreu leva hoje ao palco do auditório do Instituto Português da Juventude, no Parque das Nações, o espectáculo Encontro com Zé.

"O público português só me conhece da minha participação em novelas, mas eu sou um homem de palco, um humorista, um comediante, um declamador de poesia", alerta.

A actuação de Abreu contempla a apresentação de várias personagens encarnadas pelo próprio, que espera "uma grande interactividade com o público português". Com 35 anos de carreira, José de Abreu espera voltar em breve a Portugal, então para ficar mais tempo e percorrer o país "de Faro a Braga, num espectáculo itinerante". "Não quero ficar fechado numa sala, quero mostrar o meu trabalho a todo o país", garante.

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