"Ele batia-lhe muito e toda a gente do bairro social sabia disso"

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Violência doméstica. Mulher baleada no Porto pelo marido com prognóstico muito reservado

Os vizinhos de Maria do Céu, de 25 anos, que anteontem, com o filho de quatro meses ao colo, foi baleada na cabeça pelo marido na Rua da Beata Mafalda, dizem viver com o medo à porta. Revoltados com o crime ocorrido no Bairro Social de S. Roque da Lameira, Porto, responsabilizam o tráfico de droga e a presença de muitos cidadãos de etnia cigana de terem semeado o terror.

E, enquanto aguardam notícias sobre o estado de saúde da vítima, que se encontra na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de S. João com prognóstico "muito reservado", contam, sem querer revelar a identidade, que o casal, de etnia cigana, "andava sempre a discutir". Ele, logo pela manhã, "começava a beber, não gosta de chá. Ela, coitada, era simpática, muito asseada, passava o tempo sentadinha num banco à beira de casa, enquanto ele se enfrascava na tasca do senhor Joaquim".

Adiante, outros vizinhos referem, também, que o marido, feirante, "lhe batia muito e toda a gente do bairro social sabia disso. Mas, é claro, são coisas entre o casal. Entre marido e mulher não metas a colher, sempre ouvimos dizer".

Que sim, afirma outro grupo de locatários. "Há coisa de um mês, nos correios, ele deu-lhe uma tareia. A mocinha não merecia aquilo. Era limpa e educada. Vejam lá que ele até lhe tirava o rendimento mínimo que ela queria para dar de comer ao bebé. O bairro era sossegado, mas, com a droga e os ciganos que o presidente da câmara, Rui Rio, juntou aqui, transformou-se num inferno."

"Não são dignos de viver junto a nós. A mim, apesar de velha, chamam-me vaca e badalhoca. Já nem saio de casa à noite. Tenho medo. Ao filhito de uma amiga, três ciganos queriam tirar-lhe o telemóvel que custou à volta de 50 contos. Ora, é gente pobre e trabalhadora".

Na altura do crime, continuam a descrever ao DN, "após disparar por cinco vezes, acertando-lhe na cabeça, ainda lhe deu pontapés. Foi um milagre não ter alvejado o filho que estava ao colo da Maria do Céu". Depois, o alarme, a polícia e os bombeiros. O alvoroço. "Não fossem os agentes e os outros ciganos matavam-no. Armados até aos dentes, cercaram o local do crime, junto ao sinal de sentido proibido."

A polícia, pormenorizam, "foi agarrá-lo dentro da carrinha onde pariu uma cadela", revela a vizinhança do Bloco 19, entrada 105, casa 32, onde o casal e o bebé residiam. E tornam a culpar os ciganos e Rui Rio, "ele que venha viver para aqui" diz passando, com ar consternado, pela Rua da Beata Mafalda (1195-1256, Princesa de Portugal", tal como reza na placa de toponomia.|

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