"Acabo cansado, exausto, mas no meio da minha gente"

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Rui Costa não conteve as lágrimas. Os adeptos choraram com ele. O adeus foi definitivo

Um Estádio da Luz quase cheio para se despedir do seu último grande ídolo. O objectivo de chegar à Liga dos Campeões acabou por ficar para segundo plano, muito por culpa dos resultados dos adversários directos. O importante era mesmo Rui Costa e nem foi preciso esperar muito para que o médio cedesse à emoção e voltasse a chorar em pleno relvado. Fê-lo quando marcou um golo ao Benfica - representava a Fiorentina -, repetiu na final do Euro 2004 na despedida amarga da selecção nacional. Ontem não conteve as lágrimas logo no aquecimento e aos 86 minutos chegou o momento mais difícil da carreira de Rui Costa, como o próprio admitiu: foi substituído, ovacionado de pé, os jogadores do Setúbal também o aplaudiram, todos os colegas o foram cumprimentar e até Quim correu meio campo para abraçar o capitão da noite (Nuno Gomes cedeu a braçadeira).

De pé, encostado ao banco, colocou o cachecol do clube que sempre disse ser do seu coração e ouviu os últimos aplausos como jogador. A última camisola que envergou foi oferecida ao seu pai, Vítor Costa. Não marcou no adeus, ficou-se por uma assistência para o primeiro golo de Katsouranis. Mas cada toque na bola era acompanhado pelo apoio do público. A cada canto, nova ovação.

A festa da despedida começou muito antes do encontro. A RTP preparou um filme que passou nos ecrãs gigantes do estádio. Foi a retrospectiva dos melhores momentos da carreira e da vida pessoal, com os pais, os filhos - Filipe e Hugo que acompanharam Rui Costa na entrada em campo e na saída do relvado após o final do jogo -, Luiz Felipe Scolari, Jorge Costa (ex-jogador do FC Porto) e Carlos Manuel (ídolo da juventude do médio) a participarem.

A música Simply The Best, de Tina Turner, foi a escolhida para a derradeira entrada de Rui Costa no "seu" estádio. Com grande esforço, tentou conter novas lágrimas. Antes do apito inicial, António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, entregou ao jogador a medalha de mérito desportivo. Rui Costa agradeceu, oferecendo ao autarca uma das suas camisolas.

Nas bancadas eram muitas as tarjas. "10 obrigado Rui", leu-se na maior de todas. Elementos das escolinhas do Benfica passearam com bandeiras também a expressar o agradecimento a Rui Costa. No final, mais camisolas foram oferecidas. O número dez foi distribuído em mão pelo detentor a vários adeptos.

Não faltou quase nada no adeus, que só não foi perfeito porque não foi como campeão nacional, mágoa que o jogador não escondeu, mas, ainda assim, disse ser "um homem feliz". "Acabo cansado, exausto, mas muito feliz. Acabo no meu estádio, no meio da minha gente", afirmou com dificuldade, continuando a intensa luta contra a emoção que nunca soube esconder em qualquer momento na sua carreira.

Quanto ao futuro, pediu que o deixassem aproveitar o último dia como futebolista, mas prometeu trabalhar com a mesma intensidade nas novas funções de director desportivo. Mas "já deixa saudades [o futebol]", desabafou.

Rui Costa chorou, muitos adeptos choraram com ele. "Fica mais um ano Rui", pediram. A resposta: "Não dá mais."

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