"A primeira a acreditar no meu trabalho fui eu"

Nini Andrade Silva nasceu no Funchal e desde cedo percebeu que o seu futuro seria ligado às artes. Licenciou-se em Lisboa e hoje é uma 'designer' internacional.
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Nunca foi uma aluna brilhante porque sempre preferiu criar a memorizar. Mas foi na hora de entrar para a faculdade que mais remou contra a corrente da época: recusou a arquitetura e lançou-se no desconhecido curso de Design. Nini Andrade Silva acreditou sempre no seu valor e foi isso que lhe permitiu obter distinções internacionais.

"Nunca tive grandes notas mas sabia o que queria ser. Quando chegou o dia de entrar para a faculdade tive a coragem de seguir o que todos me desaconselhavam, porque tinha noção de que era eu que tinha de decidir", explicou a designer.

Hoje as pessoas que a desaconselharam a seguir design não a criticam. Bem pelo contrário. Nos últimos anos as suas obras têm sido elogiadas e premiadas em Portugal e no estrangeiro. De norte a sul, não esquecendo a sua terra natal - o Funchal -, Nini Andrade Silva fez já história no design.

Inaugurado em 2010, o Hotel Teatro do Porto foi um dos projetos mais arrojados, porque presta homenagem ao mundo do teatro. O ambiente sofisticado e a luz intimista deste espaço conquistaram o prémio de melhor design de interiores da Europa.

Outro exemplo é o Aquapura Douro Valley Hotel, um espaço inovador que Nini Andrade Silva desenhou naquela região. Este hotel foi já apontado pela Harrolds Magazine como um dos 100 melhores do mundo. Mas a obra e os prémios de Nini Andrade Silva estão muito para além do Norte.

Na Madeira, o The Vine Hotel foi outro dos grandes trabalhos. Localizado no Funchal, este hotel foi o grande vencedor dos European Property Awards, em Londres, na categoria de design de interiores. E foi com ele que, em 2009, Nini Andrade Silva representou a Europa no International Property Awards, em San Diego.

A designer, que diz não ter preferências por algum dos trabalhos, desenhou ainda o hotel que é a sua casa de Lisboa: o Fontana Park Hotel, na Praça José Fontana. Caracterizado pelo minimalismo, este espaço veio suprir uma lacuna na oferta lisboeta.

"Quem tem filhos não diz nunca de qual gosta mais e é isso que sinto em relação a todos estes trabalhos. Tenho um carinho especial pelo Fontana porque é o hotel onde durmo sempre que estou em Lisboa", riu-se.

A carreira desta designer começou muito antes destas distinções. Em 1991 criou o seu primeiro espaço, a Esboço Interiores Lda. Mas o sucesso foi crescendo e, em 2000, Nini Andrade Silva decidiu criar um ateliê com o seu nome. Aposta que se revelou acertada: a partir daí ganhou os prestigiantes prémios internacionais.

Em Portugal, o reconhecimento só chegou depois das distinções lá fora, porém isso não a preocupa. "É sempre assim, só após grandes trabalhos e distinções no estrangeiro é que passamos a ser respeitados no nosso País", diz Nini Andrade Silva, explicando: "A primeira pessoa a acreditar no meu trabalho fui eu. E a o apoio da família foi muito importante."

Quando começou a trabalhar, os portugueses acreditavam mais nos produtos que vinham do exterior e sentiu que um dia poderia fazer o contrário. Ou seja, fazer os estrangeiros acreditar no que é português. E conseguiu. Sempre ansiosa por ver o imenso oceano Atlântico a partir da sua terra natal, Nini Andrade Silva não esquece que muitos dos seus trabalhos são inspirados nos pequenos calhaus madeirenses.

"Os verdadeiros criadores têm de pôr a cabeça ao serviço da imaginação e foi isso que fiz. Descobri na Madeira um horizonte infinito para a minha criação", disse.

Avessa a quem só se desculpa com a crise, Nini é muito sensível a quem realmente precisa de ajuda. Foi com base no seu modo de estar e trabalho que decidiu, recentemente, ajudar crianças e idosos madeirenses com a Fundação Garota do Calhau.

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