"A Efapel resulta de uma ideia, boa, mas simples"

Publicado a
Atualizado a

Américo Duarte. Porque era mais fácil comprar um televisor do que a tomada para o ligar, um grupo de oito amigos decidiu criar uma empresa. Trinta anos depois, é o maior fabricante de material eléctrico

Em 1978, "era mais fácil comprar um televisor do que uma tomada para o ligar". É assim que Américo Duarte explica o aparecimento da Efapel - Empresa Fabril de Produtos Eléctricos, iniciativa de um grupo de oito amigos, das mais diversas profissões e sectores de actividade, entre os quais ele próprio, engenheiro electromecânico, então com 29 anos.

A fábrica começou a funcionar ainda naquele ano, com apenas meia dúzia de pessoas, no mesmo local onde se mantém hoje, em Serpins (concelho da Lousã), a três dezenas de quilómetros de Coimbra. Às tomadas e interruptores que ali começou a produzir, a Efapel foi juntando, entretanto, todo o tipo de aparelhagem eléctrica e de calhas, para instalações domésticas e industriais. Tudo e sempre de acordo com as exigências do mercado, com recurso às mais avançadas tecnologias e, sobretudo, sem nunca abdicar dos mais elevados padrões de qualidade, nem de preços tão competitivos quanto possível.

"A receita é sempre a mesma, para todos os sectores: produtos de qualidade, bons preços e bons serviços", sintetiza Américo Duarte, como que fazendo simples e fácil a história da fábrica de que hoje é sócio maioritário (possui uma quota de 69 por cento). E assim se fez o maior fabricante nacional de material eléctrico, que é também a maior empresa do sector, que facturou cerca de 18 milhões de euros no ano passado, já exporta um terço da produção para mais de quatro dezenas de países, sobretudo da Europa, e emprega 290 trabalhadores.

E a crise? "Faz parte das regras do jogo", reage Américo Duarte, acreditando que este ano a sua empresa crescerá 22%, valor verificado no primeiro semestre e idêntico ao alcançado nos últimos anos.

"As condições ideais ocorreram entre 1998 e 2001" e a crise arrasta-se desde 2002, mas apesar disso a Efapel conseguiu, nestes últimos seis anos, um crescimento acumulado de 75%. "Temos de saber enfrentar a crise" e "não podemos assustar--nos com ela", sublinha o empresário, determinado e optimista - "é mais difícil ter sucesso quando se é pessimista (ou, pelo menos, quando não se é optimista)".

Nem tudo depende exclusivamente da atitude, vontade, trabalho, esforço e competência das pessoas. Há outros factores como a sorte, por exemplo. Mas acima de tudo importa fazer crescer a empresa, para ser possível reinvestir e para ela conseguir economia de escala, inovar, especializar-se, enfim, competir, adverte Américo Duarte.

"Tudo isso conta", como também conta, designadamente, a capacidade e determinação para vencer as dificuldades. E, a propósito, uma das maiores dificuldades da fábrica de Serpins verificou-se logo no princípio da sua vida, por faltarem técnicos especializados e pessoal qualificado. Hoje acontece o contrário, não falta quem queira integrar os quadros da empresa, que ganhou merecido reconhecimento .

A Efapel resulta, antes de mais, de uma ideia, boa, mas simples. Bastou olhar para o mercado, ver o que faltava e saber responder aos consumidores, conclui Américo Duarte. Um empresário que nunca valoriza o seu (determinante) papel no projecto e justifica o sucesso da empresa com o trabalho de toda a equipa que nela trabalha.|

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt