Luís Montenegro aproveitou o dia de reflexão, no sábado, para cortar o cabelo.
Luís Montenegro aproveitou o dia de reflexão, no sábado, para cortar o cabelo.DR

A vitória de Montenegro vista por quem lhe trata do cabelo

Rui Vieira revelou ao DN que corta o cabelo ao líder da AD "há mais de 20 anos". No sábado, dia de reflexão, cobrou-lhe 10 euros como a"outro qualquer” cliente.
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No último sábado, pelas 11.30 horas, Rui Vieira tinha três clientes na sala da sua barbearia quando recebeu a chamada de um cliente habitual a pedir uma vaga. 

Terminada a intensa campanha que o levou a percorrer o país nas duas semanas anteriores, Luís Montenegro aproveitou o dia de reflexão para se sentar na cadeira do salão de Vieirinha, como é conhecido em Espinho o barbeiro daquele que, possivelmente, será o próximo primeiro-ministro de Portugal.

Para isso, terá de ser capaz de resolver o intrincado xadrez político saído das urnas neste domingo, mas Rui Vieira confia que o pragmatismo que Montenegro coloca na estética capilar será o que lhe permitirá desembrulhar o cenário de governação. 

“É o mesmo corte desde que eu lhe corto o cabelo, há mais de 20 anos”, diz o barbeiro espinhense, sentado na cadeira onde no sábado se sentou “o Luís” para a última aparadela antes de se endereçar ao país, na noite seguinte, como o vencedor das eleições.

Luís Montenegro começou a frequentar a barbearia de Vieirinha por influência do sogro, “um cliente antigo que um dia trouxe cá o Luís”. E o atual líder do PSD, homem de hábitos e tradições - dos banhos na praia de Espinho aos jogos do clube local ou ao peixe grelhado no restaurante do Carlos, ali perto da barbearia - ganhou mais um ritual frequente. 

Quando está na barbearia, “a política raramente é assunto”, diz Rui Vieira. É mais  frequente falarem de futebol, por exemplo, trocando piadas sobre os clubes um do outro - Montenegro é portista, Vieirinha sportinguista. “Quando lhe atiraram a tinta verde agora na campanha mandei-lhe uma mensagem a gozar”, atira o barbeiro, com um sorriso trocista ainda ao relembrar o episódio. “O Luís respondeu. Como responde sempre”, garante Vieirinha, sobre “um amigo” que “não perde a humildade”. “Aqui é apenas mais um cliente. Paga dez euros como outro qualquer”.

No sábado, quando se sentou na barbearia para o último corte de cabelo antes das eleições, o líder do PSD “estava tranquilo e confiante”, recorda Rui Vieira. “De há um mês para cá que se sentia que ele estava a ficar cada vez mais confiante que ia ganhar”, assegura sobre o cliente que, confia Vieirinha, desde muito novo estava talhado para o papel de primeiro-ministro. Como um dia vaticinou o pai do barbeiro, João Vieira, que foi diretor de Luís  Montenegro nos escalões jovens do Sporting Clube de Espinho, “a grande paixão comum” de ambos, onde o agora provável futuro primeiro ministro ainda tentou uma carreira de futebolista . “No intervalo de um jogo em que a equipa estava a ser goleada, o Luís chegou ao balneário e deu uma palestra que motivou os colegas todos. No final, o meu pai disse-lhe: Luís, para o futebol não tens grande jeito, mas um dia ainda vais dar primeiro-ministro”.

O prognóstico pode estar agora bem perto de se concretizar.

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