Fica em Alcoutim, na freguesia de Vaqueiros, a 30 quilómetros de Espanha e, literalmente, por entre montes e vales. A maior central solar fotovoltaica de Portugal - com 219 MW de potência e 661.500 painéis - foi inaugurada esta manhã depois de um longo processo de três anos de construção em que tiveram de se ultrapassar "problemas de logística, de ambiente, engenharia e ainda a pandemia de covid-19", disse o diretor do projeto, Hugo Paz, logo no início da sua intervenção. "Foi o projeto mais difícil que tive de liderar", conta, salientando o desafio que foi instalar tantos painéis num terreno que não é plano, mas sim montanhoso, e que estava "cheio de mato". E depois o desafio da pandemia. "Em 2020, quando nos estávamos a preparar para a parte mais fácil do projeto, veio o covid, e a população local não queria ter aqui 400 ou 500 trabalhadores, e então decidimos parar e retomámos este ano", acrescenta. Além disso, por causa da pandemia, o preço da energia no mercado grossista, que é onde se vai vender a energia produzida na central, desceu drasticamente, e colocou os investidores em alerta. É que este parque solar não é subsidiado, ou seja, o preço a que se venda a eletricidade não é fixo, ele é vendido no mercado onde os preços são variáveis e se esses valores estão baixos, então o investimento não é rentável. Daí que o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, tenha aproveitado a sua intervenção na cerimónia de inauguração para "agradecer a quem faz estes projetos", porque eles "dão um contributo essencial para assegurar que a eletricidade será mais barata".