O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa traçou um perfil do atual e do ex-primeiro ministro e tornou essa análise no assunto mais discutido no país político na véspera dos 50 anos do 25 de Abril..Vê António Costa como alguém reflexivo, fruto de uma ascendência oriental, enquanto Luís Montenegro é “completamente diferente”..O chefe de Estado não deixou de se autoanalisar neste aspeto. “Sou um ocidental apressado”, definiu..As declarações tiveram grande repercussão durante toda esta quarta-feira e foram dadas, inicialmente, num jantar com jornalistas estrangeiros que trabalham em Portugal, no qual o DN estava presente..A declaração sobre o líder do PSD surgiu quando explicava como via a mudança de Governo antes do previsto. “Ele [Luís Montenegro] é uma pessoa que vem de um país profundo, urbano-rural, com comportamentos rurais. É muito curioso, difícil de entender, precisamente por causa disso. Agora, é completamente independente, não influenciável, não populista e improvisador”, explicou..Marcelo acrescentou que “estaria feliz” e acostumado com a governação de António Costa até 2026, mas a dissolução do Parlamento foi necessária diante da demissão como primeiro-ministro e como secretário-geral do Partido Socialista (PS). “Não imaginam como é difícil adaptar-me a um novo começo”, em referência ao novo governo. Marcelo destacou que está a se habituar com o estilo do líder do PSD e que o recomeço “é estimulante” e “dá muito trabalho”..O Presidente ainda frisou não ter dúvida de que Montenegro vai “ganhar todos os debates no Parlamento”, pela capacidade de oratória..Em relação aos desafios futuros, analisa que o líder do PSD terá de lidar com a polarização..No jantar, o Presidente também foi questionado sobre o passado colonial, do qual disse que desculpas não são suficientes por ser “fácil”. O mesmo tinha sido sublinhado no discurso do 25 de Abril do ano passado..Na entrevista aos jornalistas estrangeiros, o chefe de Estado defendeu que é preciso assumir “total responsabilidade” sobre o que foi feito por Portugal no passado e que é necessário analisar como pode ser feita uma reparação às antigas colónias..“Temos de pagar os custos. Há ações que não foram punidas e os responsáveis não foram presos? Há bens que foram saqueados e não devolvidos? Vamos ver como podemos reparar isso”, sublinhou..As declarações aos jornalistas estrangeiros tiveram grande impacte durante todo o dia esta quarta-feira e quando foi questionado pelos jornalistas portugueses numa passagem pelo Largo do Carmo, Marcelo explicou as frases..“O primeiro-ministro tinha muito a ver com o PSD profundo base rural-urbana, e assim foi a raiz do PSD, ao contrário do PS, que é metropolitano, urbano-urbano”, detalhou. O presidente também afastou a ideia de ter sido ofensivo ou mal interpretado. “Foram muito explicativas para jornalistas estrangeiros”, reforçou.