BCE unânime na redução das taxas de juro, mas Lagarde não se compromete com trajetória descendente
O Banco Central Europeu (BCE) baixou esta quinta-feira a sua taxa de juro de referência em 25 pontos base para 3,5%, o segundo corte do ano, num contexto de moderação da inflação e de abrandamento da atividade económica a curto prazo.
"Tendo em conta a avaliação atualizada realizada pelo Conselho do BCE quanto às perspetivas de inflação, à dinâmica da inflação subjacente e à força da transmissão da política monetária, é agora apropriado dar mais um passo no sentido de moderar o grau de restritividade da política monetária", lê-se no comunicado do BCE.
Esta quinta-feira reunido em Frankfurt, na Alemanha, o Conselho do BCE reduziu a taxa de facilidade permanente de depósito para 3,5%, enquanto as taxas de juro das operações principais de refinanciamento e da facilidade permanente de cedência de liquidez diminuíram para 3,65% e 3,90%, respetivamente.
Estas alterações terão efeitos a partir de 18 de setembro.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou que a decisão de baixar a taxa de juro de referência para 3,5% foi "unânime" e "perfeitamente apropriada" face aos indicadores disponíveis, mas recusou comprometer-se com uma trajetória descendente.
"Repetimos, mais uma vez, que continuaremos a depender dos dados, o que se justifica particularmente tendo em conta a incerteza. Decidiremos reunião a reunião e a trajetória, cuja direção é obviamente descendente, não está predeterminada nem na sua sequência, nem no seu volume", afirmou a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, na conferência de imprensa após o anúncio da descida das taxas.
Lagarde salientou que esta dependência face aos dados disponíveis não se baseia num único indicador, mas numa bateria completa de indicadores.
A presidente do BCE fez ainda referência à possível descida da inflação em setembro, mas avisou que, mesmo que se confirme, este não é o único indicador que a instituição analisa para tomar a sua decisão. "Não nos estamos a comprometer antecipadamente com uma determinada trajetória de taxas", sublinhou Christine Lagarde no início da sua intervenção após o anúncio da decisão do BCE.
Lagarde referiu que os dados mais recentes confirmam as previsões anteriores e reforçam a confiança de que as projeções serão cumpridas "atempadamente" e que, devido ao processo desinflacionário gradual, foi considerado "perfeitamente adequado moderar o grau de restritividade da política monetária".
Segundo sustentou, os dados da inflação suportam esta decisão, mesmo que os relativos à inflação subjacente "não sejam satisfatórias", dado o seu caráter "resiliente" e "persistente".
A responsável pela política monetária da zona euro reiterou o seu compromisso de fazer regressar a inflação ao objetivo de 2% e de manter o preço do dinheiro elevado durante o tempo necessário para o conseguir.
Em junho, o BCE avançou para a primeira redução das taxas diretoras desde o ciclo de subidas iniciado em julho de 2022. Já na reunião de julho, os responsáveis pela política monetária decidiram fazer uma pausa e manter as taxas.
A taxa de inflação anual na zona euro fixou-se em 2,2% em agosto, de acordo com a estimativa rápida do Eurostat, um abrandamento face à taxa de 2,6% registada em julho.
BCE mantém previsões de inflação nos 2,5% este ano e de 2,2% em 2025
O Banco Central Europeu (BCE) manteve esta quarta-feira as suas previsões de inflação nos 2,5% este ano, 2,2% em 2025 e 1,9% em 2026, ano em que espera ver atingido o objetivo de a taxa ficar abaixo dos 2%.
Hoje reunido em Frankfurt, na Alemanha, o Conselho de Governadores do BCE deixou inalteradas as previsões de inflação face a junho, apontando para uma taxa de 2,5% em 2024, 2,2% em 2025 e 1,9% em 2026, o que significa que o objetivo de estabilidade dos preços em torno dos 2%, que tem orientado a política da instituição, não será atingido antes de 2026.
O banco central explica que a inflação está a evoluir como esperado, prevendo-se que volte a subir na parte final deste ano devido ao efeito da comparação com a queda acentuada dos preços da energia que ocorreu um ano antes.
No entanto, o BCE reviu em alta, numa décima de ponto percentual, as suas projeções para a inflação subjacente (que exclui os preços mais voláteis, como os dos produtos alimentares não transformados e energéticos) para este ano e para o próximo: a previsão é agora de uma taxa de 2,9% em 2024 e de 2,3% em 2025, mantendo-se inalterada nos 2% em 2026.
Esta atualização em alta é explicada pela resistência da inflação dos serviços.
Segundo o banco central, embora a inflação interna permaneça elevada, as pressões sobre os custos do trabalho estão a moderar-se e os lucros estão a amortecer parcialmente o impacto sobre os salários, enquanto as condições de financiamento permanecem restritivas e a atividade económica continua moderada.

