Premium Passeio por essa Paris de ler e sonhar por mais

Se ler é um assunto a dois, livro e leitor, então Paris e literatura é uma cumplicidade: "À nous deux Paris!"

A frase vem num dos livros da quase centena que Balzac dedicou à Comédia Humana. E é dita pelo personagem Eugène de Rastignac, gigolô e futuro ministro, provinciano fascinado pela capital (como tantos, nascido em qualquer lugar incivilizado do mundo, de Idanha-a-Nova a Londres, e acabado de chegar à cidade, à cidade!, e esta só podia ser uma, Paris). Numa tarde, do alto do Cemitério de Père Lachaise, depois de enterrar o Père Goriot, Rastignac olhou a cidade do seu fascínio e cunhou a frase: "Agora é connosco, eu e tu, Paris."

A frase poderia ser dita também por Julien Sorel, o herói de O Vermelho e o Negro, de Stendhal. Porque Stendhal, como Balzac e Hemingway e Sommerset Maugham e Miller e Simenon e Duras, escritores que um dia subiram a Paris, atraídos pela mesma ânsia que iriam emprestar aos seus personagens: deixar-se levar por Paris. O espanhol Enrique Vila-Matas não se cansa de dizer que lhe valeu mais que um prémio literário ter vivido num quarto de águas-furtadas parisiense, sobre o apartamento de Marguerite Duras. Se fosse o de Marguerite Yourcenar seria o mesmo, ou, décadas antes, o do poeta Ezra Pound... O que conta é o eterno, o não sei o quê, que Paris tem, teve, terá.

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