Premium O cinema e o surrealismo alimentar

Será que existe uma história dos alimentos no interior da história dos filmes? Uma coisa é certa: de Robert Redford a Jack Nicholson, passando por Matt Damon ou Tom Hanks, são muitas as personagens marcadas pelos objetos e os rituais da alimentação.

Quer queiramos quer não, a situação de reclusão que todos estamos a viver por causa da pandemia do covid-19 leva-nos a olhar os filmes com outros olhos, por vezes valorizando aquilo que quase nos passou despercebido, outras vezes atribuindo significados especiais ao que nos pareceu quase indiferente. Assim, ironicamente, do puro drama à mais delirante comédia, as histórias que envolvem alimentos adquirem uma nova pertinência. Pela mais humana das razões: num contexto que nos obriga a redefinir todas as regras de comportamento (e distância) social, como é que organizamos a nossa alimentação?

Por uma espécie de insólito surrealismo figurativo, não deixa de ser curioso perceber que o papel das conservas alimentares nos filmes é muito mais frequente, porventura mais pertinente, do que poderíamos supor. Podemos, aliás, a propósito, recordar a sugestiva imagem de uma lata de conservas que esconde um valioso colar de joias, tal como aparece no filme Love Happy (1949), com os Irmãos Marx (no mercado português: Louco por Mulheres). Será, em todo o caso, uma referência secundária. Trata-se, de facto, de um dos títulos claramente menores da trupe (o próprio Groucho Marx lamentou publicamente os resultados). E se Love Happy ficou para a história, isso deve-se tão-só ao facto de no seu elenco, num papel secundário, surgir uma ilustre desconhecida chamada Norma Jean Mortenson, nessa altura a tentar construir uma carreira em Hollywood com o nome de Marilyn Monroe.

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