Premium Irene Lozano. A mulher por detrás da Espanha Global

A secretária de Estado diz que tem o trabalho que toda a gente quereria ter: defender o seu país pelo mundo. Jornalista e escritora, que só em 2011 fez a sua estreia na política, ajudou Pedro Sánchez a escrever o seu livro de memórias.

Há uma anedota em Espanha sobre um toureiro que se converteu em governador civil e que, questionado sobre como tinha feito essa mudança de carreira, respondeu: "Degenerando." A secretária de Estado da Espanha Global, Irene Lozano, conta essa história com um sorriso para lembrar que não foi esse o seu caso. Apesar de ter começado como jornalista e escritora e de agora estar na política, para si a diferença não é assim tão grande. O objetivo é influenciar a opinião das pessoas. E, no caso do seu atual cargo, a opinião que é preciso mudar é a de todo o mundo. "É um trabalho que toda a gente quereria: defender o seu país pelo mundo. Para qualquer cidadão é uma honra."

Combater a retórica do discurso independentista catalão no exterior foi uma das tarefas que o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, lhe encomendou quando a convidou para ocupar o novo cargo, criado em outubro de 2018 para substituir a Marca Espanha. Esse projeto de marca estava mais virado para a economia e as trocas comerciais, na promoção das empresas espanholas no estrangeiro e em atrair investimento, enquanto o desafio da Espanha Global vai mais longe.

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Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...