Premium Nos bastidores dos segredos da Disneylândia

Não há lixo e há uma palavra quase proibida. Do portão que diz Disneyland para dentro fazem tudo para que o visitante seja o verdadeiro rei.

Nos bastidores da Disney, entre aqueles que recebem os visitantes, quase 150 milhões em 2017 (15 milhões só em em Paris), circula uma espécie de piada: "Eles até conseguem fazer chover artificialmente só para vender mais impermeáveis." Uma forma hiperbólica, sem dúvida, de dizer que nada se faz ao acaso aqui, onde tudo é pensado para agradar às crianças - miúdas e graúdas.

Para lá dos portões da Disneyland, há uma palavra que raramente vai ouvir: não. "Dizem-nos logo na formação para evitar. Sugerem-se alternativas", diz uma antiga funcionária ao DN, preferindo manter-se anónima. Príncipes, princesas, heróis e heroínas são importantes, mas "o verdadeiro rei é o visitante", acrescenta. "Tudo é pensado para o cativar."

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?