Até já, futuro!

É muito difícil imaginar o futuro, mesmo para um jornal a caminho dos 155 anos de idade. O futuro está cada vez mais longe, à medida que a evolução se torna cada vez mais rápida. As coisas não estão fáceis, mesmo para os futuristas profissionais - os que se baseiam em dados do passado, descobrindo as pistas que podem indicar o que aí vem. Com um pouco de inconsciência da idade, atrevemo-nos. Homenageando o nome deste suplemento, que é a data de fundação deste jornal centenário, fomos por aí em busca do que poderá ser o mundo no ano de 2064, data em que o Diário de Notícias terá 200 anos. Não fizemos este caminho pelo tempo sozinhos - temos connosco especialistas em diversas áreas que, mais do que bitaites, fazem previsões alicerçadas em conhecimentos.

E o que descobrimos? Um mundo que parece não estar assim tão longe nem ser assim tão diferente. Com carros e outros veículos autónomos - até aviões -, os sistemas de transporte serão geridos por aplicações à medida. Com casas de tipologias flexíveis para populações errantes e residentes fixos em comunidade - sobretudo os mais velhos. Robôs por todo o lado, e, finalmente, os que ajudarão a fazer as tarefas domésticas rotineiras. E a mudança de paradigma será generalizada - nas doenças, no clima, na forma como nos relacionamos e, até, amamos. A dependência tecnológica levar-nos-á a fronteiras desconhecidas que poderão tornar-se perigosas para a própria condição humana - o que será humano quando a tecnologia se torna biologicamente compatível?

A mudança é tão forte e tão rápida que há nesta revista quem, como José Gil, se recuse a prever o futuro próximo por não existir nada que se compare. Por isso, caro leitor, aqui lançamos o desafio: guarde esta revista. Guarde-a para si, para os seus filhos e para os seus netos. Use-a como uma cápsula do tempo e volte a folheá-la de novo em 2064. E se o está a fazer agora, em 2064, gostávamos de saber o que mudou e o que permanece.

PS - Na semana que vem o DN passará a sair ao sábado. E será acompanhado de um caderno 1864 em formato especial - com um tema central e a qualidade de escrita de sempre.

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Ferreira Fernandes

A Europa, da gasolina lusa ao palhaço ucraniano

Estamos assim, perdidos algures entre as urnas eleitorais e o comando da televisão. As urnas estão mortas e o nosso comando não é nenhum. Mas, ao menos, em advogado de Maserati que conduz sindicalistas podíamos não ver matéria de gente rija como cornos. Matéria perigosa, sim. Em Portugal como mais a leste. Segue o relato longínquo para vermos perto.Ontem, defrontaram-se os dois candidatos a presidir a Ucrânia. Não é assunto irrelevante apesar de vivermos no outro extremo da Europa. Afinal, num canto ainda mais a leste daquele país há uma guerra civil meio instigada pelos russos - e hoje sabemos, como não sabíamos ainda há pouco, que as guerras de anteontem podem voltar.

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Marisa Matias

Greta Thunberg

A Antonia estava em Estrasburgo e aproveitou para vir ao Parlamento assistir ao discurso da Greta Thunberg, que para ela é uma heroína. A menina de 7 ou 8 anos emocionou-se quando a Greta se emocionou e não descolou os olhos enquanto ela falava. Quando, no final do discurso, se passou à ronda dos grupos parlamentares, a Antonia perguntou se podia sair. Disse que tinha entendido tudo o que a Greta tinha dito, mas que lhe custava estar ali porque não percebia nada do que diziam as pessoas que estavam agora a falar. Poucos minutos antes de a Antonia ter pedido para sair, eu tinha comentado com a minha colega Jude, com quem a Antonia estava, que me envergonhava a forma como os grupos parlamentares estavam a dirigir-se a Greta.

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Margarida Balseiro Lopes

O governo continua a enganar os professores

Nesta semana o Parlamento debateu as apreciações ao decreto-lei apresentado pelo governo, relativamente à contagem do tempo de carreira dos professores. Se não é novidade para este governo a contestação social, também não é o tema da contagem do tempo de carreira dos professores, que se tem vindo a tornar um dos mais flagrantes casos de incompetência política deste executivo, com o ministro Tiago Brandão Rodrigues à cabeça.