A vida é um circo voador

O público viu Monty Python pela primeira vez há 50 anos, numa noite de domingo igual às outras, provavelmente enquanto ceava um chá com bolachas (já eram 23.00 quando a BBC começou a emitir o episódio de estreia de Monty Python's Flying Circus, que em Portugal passou com o título Os Malucos do Circo). Ninguém sabia muito bem o que prever daquele grupo singular composto por cinco britânicos - Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Terry Jone e Michael Palin, todos formados em Oxford e em Cambridge - e o americano Terry Gilliam, que Cleese conheceu em Nova Iorque. Ainda assim, consta que muita gente esteve a ponto de se engasgar várias vezes ao longo do novo programa humorístico.

Não houve brejeirice, nem troça de figuras públicas, ninguém a difamar ninguém, mas executivos da estação arrepanharam à mesma os cabelos diante daquele nonsense fraturante e absolutamente atual (as palavras com que o descreveram numa reunião interna foram "nojento" e "acima dos limites do aceitável"). Entretanto, se essa experiência deixou uma cicatriz nalgum sítio dos Monty Python, não foi no humor, a cada dia mais vigoroso depois de Flying Circus quase ter morrido à nascença.

A BBC acabou por nunca inspecionar os episódios que transmitiu até 1974, convencida de que só podia vir coisa boa daquelas seis cabeças para quem nada era demasiado irreverente, extravagante ou despropositado que não merecesse um sketch. A própria Margaret Thatcher, reputada por tirar a vontade de rir aos britânicos, debitou excertos do Papagaio Morto (Dead Parrot, eleito o melhor momento de televisão dos anos 1960) num discurso que fez em 1990. A antiga primeira-ministra foi pythonesca a gozar com o estado catatónico da política inglesa e até com o logótipo em forma de pássaro do Partido Liberal-Democrata. E depois os malucos são eles...

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