Francisco Lázaro corria frequentemente da zona de Benfica, onde morava, para o trabalho, no Bairro Alto
Premium

1864

A morte ao sol de Francisco Lázaro, o atleta que virou lenda

Aos 24 anos, nos Jogos Olímpicos de Estocolmo em 1912, sucumbiu ao quilómetro 29 da maratona. As causas da sua morte foram alvo das mais diversas explicações. Da insolação ao doping, o mito continua.

Um mês antes de participar nos Jogos Olímpicos de Estocolmo, em 1912, o atleta Francisco Lázaro, de 24 anos, venceu uma maratona com final na Calçada da Carriche, em Lisboa, com o tempo de duas horas, 52 minutos e oito segundos, deixando o seu perseguidor mais direto a 15 minutos de distância. Nada de especial para quem estava habituado desde a juventude a ganhar corridas ao elétrico do Chora, quando se deslocava de casa (Benfica) para o trabalho (Bairro Alto).

Uma marca absolutamente incrível para a época, que motivou grandes esperanças de que o atleta pudesse trazer uma medalha na primeira participação de Portugal em Jogos Olímpicos (só para se ter um noção, quatro anos antes, em Londres, o vencedor da maratona olímpica fez duas horas e 55 minutos). Além de Lázaro, a comitiva portuguesa nos Jogos de Estocolmo 1912 era composta pelos atletas António Stromp e Armando Cortesão, pelos lutadores António Pereira e Joaquim Vital e ainda o esgrimista Fernando Correia.

Naquele dia 11 de julho de 1912, Francisco Lázaro, carpinteiro numa fábrica de carroçarias de automóveis, no Bairro Alto, que vinha a destacar-se com bons tempos em provas internas de longa distância, entrou na pista ao lado de outros 67 atletas para dar início à maratona olímpica, num dia em que as temperaturas marcavam 32 graus à sombra. Mas desfaleceu ao quilómetro 29, depois de vários tombos, na colina de Öfver-Järva, numa altura em que seguia num grupo a pouco tempo do primeiro classificado.

Ler mais

Exclusivos