Prevenir é a chave da mudança

Prevenir é a chave da mudança

Estudo da Universidade de Coimbra indica Centro como a segunda região do país onde há pior controlo de hipertensão arterial e onde são mais caros os tratamentos e o controlo da doença.
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A investigação publicada, em 2022, não particulariza as diferentes realidades entre as várias zonas da região Centro, mas existe pelo menos um fator comum, a falta de maior acesso a cuidados de saúde. “Só com boa cobertura da população vamos conseguir maximizar e melhorar o controlo e as grandes assimetrias que existem entre a zona urbana e o interior ruralizado, seja a nível da estrutura etária ou dos padrões de prescrição”, afirma Rogério Ferreira do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, dando como exemplo da região Norte. “Existe aí melhor cobertura e melhor acesso a unidades de saúde familiar. Com melhores taxas de controlo existem também formas de prescrição diferentes”.

O médico refere-se à necessidade de um receituário adaptado à idade mais avançada e baseado na simplificação quando chega a hora de tomar os medicamentos, algo que os médicos chamam toma combinada. Quanto maior for o número de medicamentos que o doente tem de tomar, mais difícil se torna a regularidade dessa medicação e nestes casos torna-se mais provável que alguns sejam abandonados. Além de defender a toma combinada que concentra num único comprimido diversos tratamentos, o especialista de medicina interna do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra sugere a comparticipação de exames como outra mais-valia: “O acesso a métodos de diagnóstico e rastreio, e mesmo à comparticipação de alguns exames simples como, por exemplo, a Monitorização Ambulatória da Pressão Arterial (MAPA), que infelizmente não é comparticipada, seria muito útil”. Como tantos outros, este médico acredita que os gastos a controlar a hipertensão devem ser encarados como investimento porque representam ganhos a médio e longo prazo.

Assim, a iniciativa “Pela Saúde de Portugal” propõe-lhe este sábado um passeio no Parque Verde do Mondego e, ao mesmo tempo, um rastreio, para se inteirar da saúde do seu coração. Junto à ponte pedonal vai estar a carrinha da Sociedade Portuguesa de Hipertensão, que anda pelo país a medir a tensão arterial dos portugueses com o acompanhamento de diversos profissionais de saúde das cidades onde vai parando. Entre as 9 e as 17 horas, quem ali se deslocar poderá medir gratuitamente a tensão arterial e o perfil lipídico. Trata-se de uma ação com o apoio da Servier Portugal, da TSF e do Diário de Notícias.

A hipertensão arterial é um fator de risco de mortalidade modificável, ou seja, passível de ser alterado com aposta em medidas concretas de prevenção

Medir tensão arterial regularmente e evitar sal

Prevenir é sempre a palavra de ordem e a medição regular dos níveis de pressão arterial deve ser um primeiro passo e uma preocupação de todos, ainda que, erradamente, seja percecionada pela generalidade das pessoas como algo reservado apenas para os mais velhos. “Pode fazer-se em qualquer idade, mas tem mais relevância a partir dos 25, 30 anos. A não ser que existam fatores de risco conhecidos”, esclarece Maria do Carmo Cachulo, responsável pela delegação do Centro da Fundação Portuguesa de Cardiologia, e uma das profissionais de saúde que estarão em Coimbra no terreno a acompanhar o rastreio e a explicar aos participantes que medidas devem adotar para prevenir as doenças do coração. “Os portugueses têm alguns hábitos alimentares que não são muito saudáveis. Sabemos que em média mais de metade da população portuguesa é obesa ou pré-obesa. Precisamos de aprender como fazer uma alimentação mais regrada e promover o exercício físico, porque somos maioritariamente uma população sedentária”.

Rogério Ferreira, que estará também no Parque Verde do Mondego, acrescenta mais argumentos para se travar o consumo de sal, um dos principais inimigos da tensão arterial. “As pessoas, por vezes, até têm algum cuidado quando cozinham, mas é importante explicarmos que a grande quantidade que ingerem está nos alimentos pré-confecionados, em alimentos que descongelam e que já foram pré-processados”.

Os dois médicos escutados para este trabalho consideram que a hipertensão arterial é um fator de risco de mortalidade modificável, ou seja, passível de ser alterado com aposta em medidas concretas de prevenção que devem ser trabalho conjunto entre vários profissionais de saúde, das unidades de saúde e do Estado.

Sobre a ação de rastreio deste sábado, Maria do Carmo Cachulo e Rogério Ferreira salientam a importância de estar perto das pessoas, considerando que são iniciativas como esta que transmitem informação e conhecimento direto à população. Ambos dizem que qualquer pessoa deve tomar conta da própria saúde e que com mais conhecimento ao nível da literacia em saúde haverá mais disposição para alterar comportamentos.

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