Tabaqueira acompanha casa-mãe rumo a um mundo sem fumo

A Philip Morris International aposta no fim dos cigarros e na sua substituição por produtos sem combustão e livres de fumo. O que está a levar a uma transformação da filial portuguesa, cujo negócio passa exatamente pela produção e exportação de tabaco.
Publicado a
Atualizado a

A Philip Morris International (PMI) definiu uma estratégia para um mundo sem fumo. A empresa aposta cada vez mais nas alternativas ao cigarro. Tendo em conta este cenário, qual o futuro da Tabaqueira, tendo em conta que o grosso da sua produção são precisamente os cigarros? A esta pergunta, fonte oficial da Tabaqueira afirma que, enquanto subsidiária portuguesa de um grupo, a Philip Morris International, tem naturalmente um papel ativo na construção de um futuro sem fumo.

A empresa realça que o propósito foi afirmado pela PMI em 2016, "quando anunciámos publicamente que pretendemos deixar de comercializar cigarros o mais rapidamente possível, que queremos que sejam substituídos por produtos sem combustão e livres de fumo, substanciados cientificamente, logo que possível, em prol de todos aqueles que decidem continuar a fumar cigarros e da saúde pública em geral". Como? Garantindo que os fumadores adultos, de acordo com os diferentes perfis e necessidades, têm acesso a um portefólio variado de alternativas, por forma a garantir a sua transição para estas melhores soluções, sem combustão, explica a empresa.

A Tabaqueira lembra que, atualmente, já existem mais de 400 mil utilizadores do sistema de aquecimento de tabaco da PMI em Portugal, o que é, segundo a mesma, um sinal muito positivo e encorajador. "Tal facto demonstra que há muitos fumadores adultos que compreendem o potencial de redução de nocividade destes produtos face aos cigarros tradicionais e que decidiram adotá-las e que, como tal, querem vê-los considerados nas políticas públicas como melhores alternativas."
No entanto, a Tabaqueira reconhece que "acelerar o fim dos cigarros tem, naturalmente, impacto na natureza do nosso negócio". A solução passa por transformar a Tabaqueira, algo que está em curso desde 2016, altura em que a PMI decidiu instalar em Portugal centros de excelência. Estes prestam serviços a diversos mercados e regiões do grupo e já representam 5% das exportações da empresa.

Um exemplo? É em Portugal que está baseado o departamento Leaf, que dá apoio às boas práticas agrícolas em mais de uma dezena de países produtores de tabaco da Europa, Médio Oriente e África. Assim como o IT Hub, que desenvolve aplicações de software que dão suporte a várias áreas do grupo, ao longo de toda a sua cadeia de valor - incluindo o desenvolvimento de aplicações que integram os dispositivos eletrónicos sem fumo da empresa.
Embora no seu portefólio a PMI disponibilize três possibilidades diferentes ao cigarro, em Portugal, só é comercializado o sistema de aquecimento de tabaco IQOS, que, em 2022, tinha aproximadamente 400 mil utilizadores.

O governo recentemente anunciou uma revisão profunda da legislação. Sobre a mesma, a Tabaqueira afirma que vai além do necessário em relação às matérias tratadas pela Diretiva-delegada DD (EU) 2022/2100 da Comissão, de 29 de junho de 2022, que diz respeito à retirada de certas isenções aplicáveis aos produtos de tabaco aquecido, pelo que é prematura e antecipa-se ao processo de revisão da Diretiva Europeia de Produtos de Tabaco que procede à avaliação do quadro legislativo europeu para o controlo do tabagismo.

A empresa entende que, estando estas matérias em processo de revisão a nível comunitário, sem que haja ainda visibilidade sobre as medidas que irão ser propostas pela Comissão Europeia, a Proposta de Lei 88/XV/1 do governo deveria cingir-se ao estritamente necessário no que diz respeito à transposição da já citada Diretiva-delegada (que deverá acontecer até dia 23 de julho) e deixar para um momento posterior as alterações referentes à venda, consumo e outras, no contexto mais vasto das políticas comunitárias associadas ao controlo do tabagismo.

A Tabaqueira vai mais longe e afirma que "a mera aplicação de restrições excessivas a um produto que, sublinha-se, é lícito, pode redundar em efeitos perniciosos, contrários ao que a legislação procura responder, e acarretar consequências negativas com amplo impacto social e económico". Face a isto, a empresa defende que qualquer alteração legislativa de fundo, nomeadamente de caráter restritivo, deve ser alvo de consulta e debate alargados e diálogo participado com todas as partes impactadas.

"Apoiamos de forma clara e determinada a introdução de medidas adicionais que visem a prevenção de acesso e consumo de produtos de tabaco e nicotina por menores, e acreditamos que a regulação tem um papel fundamental na redução da prevalência do consumo de cigarros. Aliás, esta é também uma missão que, enquanto companhia, no seio do grupo Philip Morris International, assumimos publicamente desde 2016, trabalhando na investigação e desenvolvimento de melhores alternativas aos cigarros, sem combustão, baseadas em evidência científica e com potencial redução de risco de nocividade, para que os possam substituir num futuro próximo, trazendo impactos positivos na saúde dos fumadores que decidem continuar a consumir produtos de tabaco ou nicotina", afirma a Tabaqueira.

Apesar dos desafios, a empresa - e a PMI - acreditam que é possível ter, em 2040, uma geração livre de tabaco e uma geração livre de cigarros em 2030.



Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt