Seguradoras reuniram de urgência por causa do fogo no Andanças

Fogo em parque de estacionamento destruiu 422 viaturas. Organização do festival diz que tem seguro. PJ investiga

A Associação Portuguesa de Seguradoras (APS) reuniu-se ontem ao final da tarde de emergência. Em cima da mesa estava a análise da maior destruição de automóveis pelo fogo até hoje vista em Portugal: 422 carros calcinados por um incêndio no parque de estacionamento do festival Andanças, em Castelo de Vide (Portalegre).

Pelas 17.00 a organização do Andanças garantia aos jornalistas no local que tinha um seguro que cobria os danos do incêndio e que estava em contacto com a seguradora para avaliar tudo. Ao início da noite os bombeiros estavam ainda a limpar o parque de estacionamento, a Polícia Judiciária (PJ) e os peritos das seguradoras estavam no local a avaliar os danos. "Não temos autorização para ir ao parque antes das 22.00", contou Ana Paula Silvestre, a DJ do projeto A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria, participante no festival.

"A Associação Portuguesa de Seguradoras está a recolher informação sobre o tipo de seguros contratados pelas pessoas. Só amanhã [hoje] poderá divulgar uma informação mais precisa", adiantou Francisco Cruz, da Cunha Vaz e Associados, empresa que trata da comunicação da APS.

Músico conduziu contra o fogo

O tema do Andanças deste ano era o "Desafio". E para milhares foi mesmo. "Não fiquei parado. Vi o meu carro fora das chamas, saltei a vedação, peguei no carro e entrei no caminho de terra batida contra o fogo." O relato é do músico Pedro Mestre, que ontem à tarde deveria apresentar no Festival Andanças uma oficina de demonstração de viola campaniça e acabou a viver o cenário de um filme de aventuras. "Não faz ideia do que está aqui, são centenas de carros todos ardidos", descreveu ao DN.

O músico alentejano tinha chegado há 15 minutos ao recinto do festival quando ouviu alguém dizer que havia um fogo. "Olhei e vi o fumo negro. Percebi que era grave e fugi. Quando cheguei ao parque, os carros estavam a explodir uns atrás dos outros", relata. Com a emoção na voz, poucas horas depois de ter salvo a viatura "por poucos segundos", Pedro Mestre explica que só decidiu avançar porque viu que a carrinha "ainda não estava a arder e na direção do caminho não estava nenhum a arder".

Um carro incendiou e alastrou

O fogo terá tido origem num "carro que se incendiou e propagou aos outros", disse ao DN o tenente-coronel Carlos Belchior, porta-voz da GNR de Portalegre. "Pode ter havido várias causas: um curto-circuito, aquecimento do escape em contacto com mato fino, sobreaquecimento do sistema elétrico, entre outros", acrescentou o oficial, garantindo que não existem "indicadores de origem criminosa". Mas a Polícia Judiciária foi ontem contactada pela GNR para ir ao local para descartar oficialmente que não foi crime.

Quatro mil pessoas tiveram de ser retiradas do recinto, localizado na albufeira de Póvoa e Meadas. Não houve feridos. "Éramos muitos, muitos, muitos", estrada fora, a sair do recinto", descreveu ao DN Ana Paula Silvestre. A meio da tarde, milhares permaneciam "no meio do campo à sombra" sem saber o que se ia passar a seguir: "Salvaram-se as pessoas, o resto logo se vê." O ambiente era calmo e a organização acompanhava os festivaleiros com vários voluntários no local fornecendo água e fruta. "Quando os bombeiros passam toda a gente bate palmas" descreveu.

"Parecia o êxodo. Começámos todos a sair do recinto do festival. Ouvimos explosões. Houve carros que explodiram", contou Teresa Charata, uma das participantes no Festival Andanças que foi à boleia com um amigo para o evento. O carro do amigo estava no parque.

Ana Paula estava à espera de um espetáculo de circo no Espaço Criança quando se começaram a ver nuvens cinzentas enormes. "Apareceu alguém da organização a dizer que estava tudo controlado. Passados dois minutos disseram que íamos ser retirados para o miradouro e depois começámos a circundar a barragem", conta. Estava com a família e amigos no momento de fugir, o que foi bom. "Houve pelo menos uma criança perdida e isso deve ser um grande susto", diz.

O festival Andanças começou segunda-feira e decorre até domingo. Muitos festivaleiros começaram a ir embora ontem, depois do incêndio. Outros tantos ficaram porque a zona das tendas não foi afetada.

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