Não se importa que lhe chamem pirata - "afinal, é assim que se fala da cópia livre de informação, portanto, ok", diz ela com uma risada. Mas a plataforma Sci-Hub que a jovem neurocientista cazaque Alexandra Elbakyan criou na Internet ultrapassa em muito a ideia do simples download para sacar meia dúzia de filmes ou de músicas da Internet. A Sci-Hub já copiou e disponibiliza livremente quase 50 milhões de artigos científicos, a maioria deles cobrados a bom preço pelas revistas que os publicaram..A filosofia é exatamente essa: dar acesso livre a todos os artigos científicos publicados - até agora, e também no futuro. Esse propósito está, aliás, estampado na página de abertura da plataforma (http://sci-hub.io), que reclama ser a primeira a prosseguir, e a concretizar, este objetivo. Com quase 50 milhões de artigos no seu portfólio, deve estar, aliás, muito perto de conseguir disponibilizar tudo quanto já se publicou no universo das revistas científicas..Contado assim, parece tudo muito simples. Nada mais falso. Com a sua democratização digital do conhecimento, esta Robin dos Bosques da ciência, que hoje vive na Rússia, ousou afrontar as todas poderosas publicações científicas e o resultado não se fez esperar: a Elsevier, um dos grupos mais fortes do setor, que publica mais de 2500 de revistas científicas, avançou em junho do ano passado com uma ação num tribunal de Nova Iorque e conseguiu que este mandasse suspender a Sci-Hub quatro meses depois..Alexandra não se deixou abater. Reafirmou ser "inaceitável" que as publicações cobrem "por conhecimento científico que não produziram", garantiu que não ia parar e há dias reabriu a sua plataforma na Internet, num domínio internacional sobre o qual os tribunais dos Estados Unidos não têm jurisdição. O seu serviço está de novo on line, com uma média diária de utilizadores da ordem das dezenas de milhares, e com tendência para aumentar. Mas quem é, afinal, Alexandra Elbakyan?.Há pouca informação sobre a história pessoal desta jovem neurocientista, nascida e criada no Cazaquistão. Quando entrevistada, ela prefere falar do seu projeto. Mas sabe-se - ela contou-o -, que estava ainda na universidade, a fazer a tese na área da interface cérebro-máquina, em 2009, quando se confrontou com o problema que decidiu resolver: precisou de consultar informação científica atualizada e percebeu que teria de pagar muitos milhares de dólares para o fazer. Sendo assim, pirateou os artigos na Internet, conclui a tese, e daí ao resto foi um passo. Especializada na área, desenvolveu ela própria os códigos para montar a plataforma. O Sci-Hub nasceu em 2011, cresceu à velocidade da luz, foi silenciado, e agora reapareceu.