Quem se sente mais sozinho expõe-se mais no Facebook

Estudo revela que as pessoas mais solitárias são aquelas que partilham mais pormenores sobre si mesmas nas redes sociais

Entre os vários tipos de utilizadores do Facebook, há quem faça da rede social criada por Mark Zuckerberg uma espécie de diário, partilhando tudo o que se passa consigo, inclusive pormenores da vida pessoal. Agora há uma explicação. De acordo com um grupo de investigadores da Universidade Católica João Paulo II, de Lublin, na Polónia, quanto mais sozinhos se sentem os utilizadores da rede social, maior é o número de detalhes pessoais que publicam no seu mural.

A equipa de investigação comparou a escala de privacidade no Facebook com a escala de solidão. Ao analisar os resultados dos testes feitos a 887 universitários, as investigadoras Agata Blachnio e Aneta Przepiorka descobriram que quanto mais sozinhos os utilizadores confessavam estar, mais se expunham naquela rede social.

Contactado pelo DN, o psicólogo João Faria explicou que "as pessoas que se sentem mais sozinhas tentam mostrar-se mais, têm necessidade de ser conhecidas" para anular o sentimento de solidão e isolamento. "Ao darmos mais pormenores sobre a nossa vida, ficamos com a sensação de que as pessoas conhecem mais de nós", explica o coordenador do núcleo de intervenção no uso da internet e telecomunicações no PIN - Progresso Infantil. Contudo, destaca, "cai-se numa falácia: não é garantido que nos conheçam da maneira que nós queremos". E isso pode até afastar os outros.

Citada pelo site espanhol TLife, a pesquisa publicada na revista científica Computers in Human Behavior revelou, ainda, que os mais jovens eram os que mais partilhavam os seus segredos em público. A solidão mostrou ser uma agravante, mas isto também estará relacionado com um menor cuidado com a privacidade na adolescência, o que, segundo o mesmo site, será explicado num estudo do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual da Califórnia, que vai ser publicado em breve na mesma revista.

E quantos "amigos" se conhecem verdadeiramente? Ao confrontarem 4000 estudantes do secundário com as suas listas de amigos no Facebook - mostrando apenas a foto de perfil -, os psicólogos concluíram que os participantes só sabiam o nome de 72% dos seus supostos colegas. Outro pormenor interessante, destaca o TLife, é que os rapazes tendem a decorar melhor o nome de outros rapazes, enquanto as raparigas também fixam mais facilmente as utilizadoras do sexo feminino.

O site Tlife refere ainda um outro estudo feito em setembro nos EUA e na Alemanha, simultaneamente, que revelou que quem tem mais amigos no Facebook se sente mais querido e valorizado do que as pessoas que têm menos. Segundo João Faria, isto está relacionado com o facto de o Facebook criar "a ilusão de que temos mais pessoas com quem podemos contar do que realmente temos".

Em consulta, o psicólogo clínico apercebe-se de que "há miúdos que sentem que podem contar tanto com os amigos virtuais, com quem nunca estiveram pessoalmente, como com os reais". Isto só será um problema se realmente precisarem desses "amigos".

Relacionadas

Últimas notícias

Conteúdo Patrocinado

Mais popular

  • no dn.pt
  • Sociedade
Pub
Pub