Plásticas. Há uma rede onde se pode testar a mudança estética

Já é possível ver qual será a aparência depois de uma cirurgia estética e, numa comunidade 3D "antes e depois", pôr a votação qual a melhor opção

Depois da terceira gravidez, Paula ficou com os seios bastante mais pequenos do que tinha antes de ser mãe pela primeira vez. Já passaram quatro anos, mas ainda não se sente bem quando olha para o espelho. "No verão, tenho de usar biquínis superalmofadados. É muito desconfortável", diz ao DN. Há quatro anos, começou a equacionar colocar implantes mamários. Consultou vários médicos, mas a "fúria do verão" acabava por passar. Agora está decidida. Na segunda quinzena de agosto, irá colocar um implante de 350 centímetros cúbicos (CC) em cada mama. Graças a um programa de simulações 3D - que pode ser usado também em cirurgia faciais e corporais -, Paula já tem uma ideia de como vai ficar e até já pôde "experimentar" o novo corpo através de uns óculos de realidade virtual.

O Crisalix é um software de simulação 3D para procedimentos de mama, face e corpo. É usado em cirurgias de aumento ou redução de mama, rinoplastias, liftings faciais, abdominoplastias, entre muitos outros. Miguel Andrade, da clínica Faccia, é o médico que está a acompanhar Paula e um dos oito cirurgiões que usa o programa em Portugal. Neste momento, a cabeleireira já só tem de escolher entre os implantes anatómicos ou redondos. Uma decisão que quer tomar sozinha.

Depois da consulta, Paula ficou com as várias simulações feitas pelo cirurgião, mas preferiu não as partilhar com ninguém. "Vai ser surpresa." Além de terem a possibilidade de mostrar as imagens a amigos e familiares, os pacientes podem partilhar as simulações anonimamente numa comunidade "3D antes e depois", na internet (my.crisalix.com), onde qualquer pessoa pode opinar e votar na que considera mais adequada. Uma das grandes inovações, face ao que já existia no mercado.
"O objetivo é dar uma ideia de como a pessoa pode ficar, para que as suas expectativas sejam mais realistas. Não promete resultados, pois isso irá depender dos tecidos da pessoa, das mãos do médico e de outros fatores", explica Frederico Roldão, representante da marca em Portugal. Há a consciência, destaca, de que a paciente não ficará igual ao que está nas imagens.

Através de um sensor agregado a um iPad ou do upload de fotos, é criado um modelo 3D no computador do médico e, em alguns segundos, este consegue começar a fazer simulações. No caso das mamoplastias de aumento, o programa tem um catálogo com todas as marcas de implantes que existem no mercado. A partir daí, o cirurgião escolhe o tipo de implante, tamanhos, projeção. E é possível ver o antes e o depois, tanto sem roupa como com diferentes tipos de vestuário. Além disso, a tecnologia pode ser complementada com uns óculos de realidade virtual, para que os pacientes "experimentem" o seu novo corpo, observando as alterações de diferentes ângulos.

Para Miguel Andrade, que usa o Crisalix há dois anos, a grande vantagem desta ferramenta é "permitir que a paciente fique com uma ideia do resultado do procedimento cirúrgico que pretende realizar e, desta forma, mais facilmente tome a decisão de avançar com a cirurgia". Ao contrário de outros sistemas de simulação em que só é possível ver a imagem num ecrã, com o Crisalix "consegue também ver o aumento mamário que pretende mas no seu próprio corpo, como se já tivesse realizado a cirurgia".

O cirurgião José Manuel Appleton, que usa o software há quase um ano, reforça que a grande vantagem do Crisalix é "dar uma ideia mais precisa de como é que o doente vai ficar após a cirurgia", permitindo fazer "melhores escolhas". E não cria expectativas demasiado elevadas? "O médico deve alertar que é apenas uma previsão. Se as expectativas forem demasiado altas, ocorrem problemas, com ou sem programa."

Paula reconhece que quer que tudo fique "perfeito", daí que ainda esteja indecisa relativamente ao tipo de implante. "O anatómico é mais caro e fica mais natural, mas, se houver deslocação, o peito fica deformado. Já o redondo, dá um ar mais artificial, mas é mais barato e o formato não é alterado." Na sua opinião, as imagens que viu no Crisalix não elevaram as expectativas. "Sou cabeleireira e sei que os cortes não ficam iguais aos que os clientes veem nas revistas. As mamas não vão ficar como eu as vi."

Antes de usar o Crisalix, José Manuel Appleton usava próteses simuladoras nos soutiens das pacientes para que ficassem com uma ideia do aumento. "Mas, numa situação em que é para reduzir, não era possível", salienta.

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