Papas e sopas? Há bebés que só comem sólidos e com a mão

Tomás, 13 meses, começou a comer sozinho aos 6. Até aos 9 meses só queria fruta. Depois começou a comer também legumes, carne, peixe

Chama-se autoalimentação. É uma nova prática que está a ser adotada por muitos pais. Deixar bebés de 6 meses comerem sozinhos

Em vez de papas e sopas, aos 6 meses, Tomás já comia alimentos sólidos com a mão. A mãe, Mafalda Fernandes, de 29 anos, adotou o baby led weaning (BLW), uma prática de autoalimentação que, segundo os pediatras, tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos em Portugal. À frente de Tomás, agora com 13 meses, a mãe põe os mesmo alimentos que os pais comem - embora sem sal - e o bebé come os que quer, na quantidade que quer. "Só lhe dou o iogurte, porque suja-se mesmo muito." Como está sempre com a mãe, tem a vantagem de mamar quando quer. "Sempre teve percentil 50. Nunca baixou", assegura Mafalda.

O método BLW consiste em dar ao bebé os alimentos sólidos a partir dos 6 meses, deixando que ele explore os sabores e as texturas. Começa com frutas e legumes cozidos e depois é alargado a outros alimentos, como carne e peixe. Tem vantagens, dizem os pediatras, mas também pode ter riscos. Por isso, é importante que os pais estejam informados e conheçam as regras.

"É algo relativamente novo em Portugal e que vai conquistando adeptos aos poucos", diz ao DN o pediatra Hugo Rodrigues. Entre os principais benefícios, o médico destaca o desenvolvimento da motricidade fina e da mastigação em fases mais precoces. Já no que diz respeito aos problemas que podem surgir, o pediatra fala no perigo de engasgamento e de as crianças não comerem a quantidade necessária de alimentos. "Deve ser uma escolha dos pais e nós, enquanto pediatras, devemos orientar. Mas uma opção mista, que envolva também sopas, parece-me mais sensata." E claro, sempre com a amamentação como base. Esse é, aliás, um dos princípios do BLW.

Filipa dos Santos, conselheira de aleitamento materno, optou pelo método misto com os dois filhos - Leonor, de 5 anos, e Miguel, de 2 anos e meio - a partir dos 6 meses. Dava-lhes os alimentos inteiros, mas, sempre que comia sopa, os bebés também comiam. "Acho que a alimentação não tem de ser rígida: tudo sólido ou tudo passado. Tem de ser adaptada a cada família", explica ao DN a também criadora da Rede Amamenta.

Há sinais de que a criança quer começar a comer. "Notei que a Leonor estava preparada, porque já se sentava sozinha, esticava a mão para tentar pegar na nossa comida e imitava a mastigação." Para quem quer uma refeição rápida e sem comida pelo chão, pode não ser a melhor escolha. "Não somos nós que controlamos, pelo que os bebés sujam-se mais", recorda Filipa. Como continuam a mamar, "comem mais ou menos consoante aquilo que precisam".

Ao DN, a pediatra Graça Gonçalves diz que "muitos pais encaram este método como uma forma de eles próprios fazerem uma alimentação mais saudável, porque dão aos filhos o que vão comer". Além das vantagens na motricidade e mastigação, a consultora internacional de lactação destaca que estes bebés desenvolvem "a destreza mais cedo" e conhecem "os sabores e os cheiros de todos os alimentos de forma individual".

Quantos aos argumentos contra, a pediatra diz que "os bebés engasgam-se principalmente com os líquidos. "Mas é importante conhecer as regras", ressalva. Uma delas é não dar pedaços muitos pequenos, redondos e duros. Já no que diz respeito à quantidade de comida que ingerem, "as crianças crescem a um ritmo adequado, desde que tenham à frente todos os alimentos e em quantidades adequadas". No início "o bebé vai fazendo experiências com a comida e aprendendo a comer, e só aos 8 ou 9 meses fará uma refeição de substituição". Daí a importância da amamentação.

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