Ótica social vai ajudar alunos a aprender e carenciados a ver melhor

INETE ganhou Montepio Acredita Portugal que financia projetos de empreendedorismo social. Já ajudou oito pessoas
Publicado a
Atualizado a

Entre as salas de aula e oficinas do INETE (Instituto de Educação Técnica) há um espaço que se distingue. Tem um balcão de atendimento e um mostruário de armações. É a sala da OPTIBEST, a "ótica pedagógica e solidária" que a escola vai colocar em funcionamento a partir de setembro. O projeto nasceu em novembro com o objetivo de ser simultaneamente um espaço de aprendizagem e de solidariedade. "Pensámos que os nossos alunos poderiam ter uma formação muito mais ligada ao contexto real de trabalho", começa por explicar a diretora do INETE, Fernanda Torres. A esta vertente juntou-se o lado social com a ajuda do Banco de Óculos.

A OPTIBEST ainda está a dar os primeiros passos. Foi preciso criar um modelo de negócio, juntar os parceiros e pensar como se faz a ligação ao público. Mas já foi possível colocar oito pessoas a ver. E vencer o concurso Montepio Acredita Portugal, na área do empreendedorismo social.

Ao espaço inaugurado no final de junho vão chegar apenas os utentes referenciados pelas IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social). "Foi algo que definimos à partida, não somos um espaço comercial e não somos concorrentes das óticas", aponta Fernanda Torres.

Do lado da escola, que foi a primeira do ensino profissional a ter o curso de Técnico de Ótica Ocular, a prioridade é também melhorar a formação dada aos alunos. "Não há nada como lidar com situações reais", sublinha a diretora. Margarida Silva foi uma das alunas que pôde viver essa experiência.

"Fui a uma instituição com três colegas e ajudámos a tirar as medidas, a escolher as armações e depois montámos os óculos. É muito diferente lidarmos com as pessoas", refere a estudante de 16 anos. De partida para um período de Erasmus em Santiago de Compostela, a estudante do 11.º ano lembra que "a visão é um direito fundamental e muitas vezes esquecemo-nos que há pessoas que não conseguem ter acesso a ela por serem carenciadas".

Foi este o princípio que levou a própria escola a pensar no projeto. "Pontualmente também tínhamos alunos com este problema, que resolvíamos com os nossos professores, técnicos e fornecedores e depois encontrámos o Banco de Óculos que angariou milhares de armações e também queria chegar a quem precisa. Agora a OPTIBEST consegue agregar todo esse universo", descreve Fernanda Torres.

A juntar a este projeto que há de arrancar em pleno em setembro e vai colocar os alunos do INETE em contacto com a população carenciada, está o desafio do grupo de educação a que a escola pertence de levar esta ideia aos países de língua oficial portuguesa, onde estão presentes.

"Como grupo estamos presentes em todos os países de língua portuguesa, os problemas de visão são transversais e achámos que era importante dar também uma resposta nestes locais. Estou a pensar na Guiné, em Moçambique ou Angola", aponta Teresa Damásio, administradora do grupo Ensinus. A responsável acredita que "tornar o projeto global" também foi importante para terem vencido o Acredita Portugal.

O INETE foi a primeira escola profissional privada do país e já formou mais de 300 técnicos de ótica. Margarida ainda tem um ano pela frente e vai ser uma das alunas a optar por continuar os estudos. "A minha primeira opção é Medicina, mas sei que é difícil e, por isso, vou tentar entrar em Ortótica que também gosto." Ou não tivesse sido uma operação aos olhos e a necessidade de usar óculos desde os 3 anos que levou a estudante ao curso de Técnico de Ótica Ocular. A jovem de 16 anos não exclui mesmo trabalhar na área enquanto frequenta o ensino superior. "Estamos preparados para entrar no mercado de trabalho e até podemos conciliar isso com os estudos."

Diário de Notícias
www.dn.pt