"Os nossos satélites estão prontos para serem lançados"

Pedro Sinogas

Logo em 2001, quando criaram a Tekever, os seus três fundadores, todos colegas do Instituto Superior Técnico, da Engenharia Informática, ganharam o primeiro contrato na área do espaço. Nunca mais pararam. Além do Gamalink, nas comunicações, a empresa também já desenvolveu os seus próprios satélites, que estão prontos a voar para órbita.

Como surgiu o Gamalink?

A Tekever tem trabalhado em comunicação e processamento nas tecnologias móveis desde 2001. O Gamalink foi o nosso primeiro produto com esse know-how para o espaço. Começámos a trabalhar em espaço logo em 2001, estivemos envolvidos no Galileo, para o qual fizemos terminais para testar a qualidade e a precisão do sinal.

Isso deu-vos o conhecimento de que precisavam para esta área?

Acima de tudo, foi o primeiro projeto na área do espaço, para a ESA, e colocou-nos num modo de pensar e de funcionar diferente, com padrões de qualidade para o espaço e toda a comunicação na empresa em inglês. A empresa nasceu a 4 de janeiro de 2001, e esse foi o primeiro contrato, em março.

Que vantagens tem o Gamalink para a comunicação dos satélites?

Uma das grandes alterações que está a haver no espaço é o que se chama new space, com a tecnologia cada vez mais miniaturizada. Hoje, um satélite pequeno, do tipo cube sat ,tem mais capacidade do que um satélite que há dez anos tinha a dimensão de uma máquina de lavar, e chega a ser cem vezes menor. Se um satélite daqueles poderia pesar cem quilos, um cube sat pode pesar quilo e meio. Uma das formas de tirar partido destes satélites mais pequenos é pô-los a comunicar mais. Se comunicarem em rede [vários Gamalinks geram a Gamanet], conseguem fazer mais coisas, cumprem o mesmo objetivo e os custos do lançamento são muito mais baratos. Ou se usam lançadores mais pequenos, ou então os lançadores levam muito mais satélites. Por outro lado, há maior tolerância a falhas. Se houver um erro num desses satélites do tipo máquina de lavar, ele pode ficar completamente inoperacional. Mas se forem dez satélites destes de um quilo, e se um deixar de funcionar, os outros nove continuam e, como comunicam entre eles, podem redistribuir tarefas, desde que os softwares e as tecnologias de comunicação o permitam, como acontece com os Gamalinks. E há versatilidade. Podemos ter satélites de tamanhos diferentes, com capacidades diferentes, para um efeito de rede.

A Tekever também está a desenvolver satélites. Quando é que eles poderão voar?

O Gamasat, que é o maior [ver foto, à esquerda, em cima], foi desenvolvido integralmente pela nossa equipa. O mais pequeno foi feito em conjunto com uma equipa do Brasil. Estes satélites estão prontos para serem lançados, estamos agora a avaliar oportunidades.

E o que estão a preparar para o futuro?

Mantemos planos a seis, sete anos. Temos equipas a trabalhar exclusivamente nas tecnologias mais promissoras. Uma é a inteligência artificial, uma área que tem dado saltos significativos e na qual não podemos ficar para trás. Outra é a segurança informática, que é cada vez mais crítica, e outra é a quantum computing, que revolucionará a forma de pensar o software. Ainda não há computadores desses a funcionar, mas podem aparecer de um dia para o outro e quem tiver know-how nessa área dará um salto significativo.

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