Moradores de zona histórica de Carnide arrancam parquímetros da EMEL

Protesto pelo facto de os equipamentos lhes terem sido impostos sem uma consulta prévia.

Cerca de duas centenas de moradores de Carnide, em Lisboa, juntaram-se esta noite para arrancar os sete parquímetros da EMEL colocados na zona histórica do bairro, alegando que estes lhes foram impostos sem uma consulta prévia. Entretanto, a EMEL já garantiu que a população e a Junta de Freguesia estavam informadas da colocação dos parquímetros.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de Carnide, Fábio Sousa, disse que esta "ação popular" nasceu de forma espontânea entre os moradores da zona, que se sentem injustiçados com a colocação dos parquímetros por parte da EMEL - Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa, "sem uma consulta pública".

Para esta tarefa de remoção, os moradores dizem-se "munidos das próprias mãos" e de "uma enorme vontade de remover uma injustiça" que lhe foi imposta pela EMEL.

Cerca das 00:00, o presidente da Junta de Carnide disse que já tinham sido retirados quatro dos sete parquímetros da zona histórica, mas garantindo que não foram danificados nem vandalizados, já que estes cidadãos em protesto "são pessoas de bem" que apenas querem fazer valer os seus direitos nas decisões para a zona onde habitam.

Durante a noite, os parquímetros ficaram guardados na esquadra da PSP para serem entregues ao presidente da autarquia, Fernando Medina, numa ação que decorrerá pelas 18:00, na Câmara Municipal de Lisboa.

A intenção de guardar os parquímetros na esquadra da PSP, que ocorreu ao local de onde foram retirados, pretende proteger estes equipamentos e evitar que sejam vandalizados, disse Fábio Sousa à Lusa.

Confrontado sobre se esta ação poderia representar um crime de destruição de propriedade pública, Fabio Sousa disse entender que não, uma fez que a intenção dos moradores "é retirá-los e devolvê-los a quem os impôs" sem questionar a junta ou os moradores.

"Retirada não é vandalização", ouvia-se pelo telefone uma moradora a acrescentar, durante a conversa da Lusa com o presidente da junta.

Entretanto, a EMEL já garantiu que a população e a Junta de Freguesia de Carnide estavam informadas da colocação dos parquímetros e que o presidente da Junta não se opôs.

No entanto, em declarações aos jornalistas, Fábio Sousa acusou a EMEL de estar a mentir e mostrou uma posição enviada ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa a 10 de fevereiro.

No e-mail enviado a Fernando Medina, o presidente da Junta de Carnide afirmou que "atualmente é inoportuna a entrada da EMEL no centro histórico" da freguesia, "sem que esteja salvaguardada a criação de um parque de estacionamento e em curso as obras de requalificação previstas em Orçamento Participativo para este território".

A Câmara Municipal de Lisboa, por seu lado, defendeu que arrancar parquímetros constitui vandalismo. "É um ato grave e inédito, de deliberada danificação de património municipal, e um ato inaceitável num estado de direito", considerou a autarquia, realçando que "foram dadas indicações para a EMEL iniciar o processo de reinstalação imediata dos parquímetros nos locais previstos e para envio imediato às autoridades policiais e ao Ministério Público de toda a informação recolhida", lê-se num comunicado.

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