Transportes públicos em Lisboa são "absurdamente caros"

Presidente da Câmara de Lisboa frisou ontem que capital está a viver bom momento devido ao turismo, aos serviços e ao empreendedorismo. Mas alertou para o maior risco de exclusão social

Um sistema de transportes públicos "ilegível, atrasadíssimo do ponto de vista do seu desenvolvimento" e com passes "absurdamente caros". O presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) não poupou ontem nas palavras ao descrever o panorama daquela que será uma peça "vital" para que, na capital, a "ditadura do automóvel" dê lugar ao usufruto do espaço público por quem a habita ou visita.

Fernando Medina (PS) falava num almoço-debate do International Club of Portugal, para o qual foi convidado para falar da estratégia de desenvolvimento de uma cidade que, sublinhou, vive um momento muito bom devido a uma conjugação de três áreas dinâmicas: o turismo, os serviços e o empreendedorismo. O autarca alertou, porém, que este modelo "traz consigo um processo de exclusão" de pessoas sem qualificações profissionais, sendo, por isso, essencial promover a "coesão social" e assegurar que existem oportunidades para todos.

"Os transportes públicos são uma área em que nós falhámos como comunidade", defendeu Fernando Medina, que reiterou a sua oposição à subconcessão do Metropolitano de Lisboa (ML) e da Carris, decidida pelo Governo anterior e cujo processo foi travado, em dezembro, pelo atual Executivo, liderado por António Costa (PS), presidente da CML entre agosto de 2007 e abril de 2015.

O autarca elogiou, ainda assim, o Governo de Passos Coelho (PSD), por ter sido "o único" que deixou legislação que, "não sendo perfeita", "fez um processo de descentralização de competências", ao nível do transporte público, para as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.

Neste momento, a autarquia está em conversações com a administração central para uma eventual municipalização da Carris e do ML, transportadoras que, em quatro anos, perderam "cem milhões de passageiros". As negociações, garantiu na segunda-feira, em declarações aos jornalistas, Fernando Medina, "estão a correr bem".

No debate-almoço de ontem, o presidente do município enumerou ainda algumas dos projetos que, no seu entender, são exemplificativos de uma política de substituição da "ditadura do automóvel" pela utilização do espaço público por lisboetas e visitantes. Entre eles, estão a intervenção, a iniciar em breve, no eixo Avenida da República-Praça Duque de Saldanha-Picoas-Avenida Fontes Pereira de Melo, a requalificação em curso do Cais do Sodré e do Campo das Cebolas e o programa "Uma Praça em Cada Bairro", que visa criar novas centralidades um pouco por toda a cidade. O autarca invocou ainda a controvérsia, ao longo do último mês, em torno do projeto de remodelação da 2.ª Circular para demonstrar como a tentativa de implementação desta nova forma de viver a cidade "não é uma tarefa fácil, pacífica, unânime".

Turismo "gera imenso valor"

Para Fernando Medina, a questão da eficiência dos transportes públicos é, aliás, essencial para garantir a qualidade de vida de quem reside em Lisboa, a par de uma estratégia para desenvolver a capital "na sua integralidade". Em causa, está o facto de com a "Lisboa moderna" do turismo, do empreendedorismo e dos serviços, coexistirem "dos mais extremos fenómenos de exclusão social". "Não nos podemos esquecer que esta realidade é a cidade de Lisboa", frisou.

O autarca congratulou-se, ainda assim, com o bom momento que a capital vive. "O turismo é uma atividade que gera imenso valor. (...) Quando a procura encontrou Lisboa, Lisboa esteve à altura de responder", sustentou. O presidente da CML salientou ainda a importância dos serviços na criação de valor - uma realidade que "não é muito visível" - e a dinâmica gerada, desde 2012, pelo empreendedorismo, que se traduziu em "centenas de postos de trabalho já criados". Fernando Medina aproveitou, de resto, para anunciar que, "muito em breve", haverá um "polo de desenvolvimento" na zona oriental" da cidade com capacidade para captar e reter mais startups.

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