Presidente da Liga dos Bombeiros: "Incêndio teve mão criminosa"

Jaime Marta Soares diz que trovoada seca foi duas horas depois de ter começado o incêndio em Pedrógão Grande. PJ quer ouvi-lo
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Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros, afirmou esta quarta-feira que está convicto de que o incêndio de Pedrógão Grande, que fez 64 vítimas mortais, teve "mão criminosa", disse no Fórum da TSF.

"Tenho essa convicção. Tenho para mim, convictamente, que a trovoada foi bastante mais tarde que o início do incêndio. Já o incêndio tinha grandes proporções quando ela começou".

Acrescentou ainda que, "por essa razão", se deve fazer um "estudo, com base científica, para apurar todos os pormenores que permitam esclarecer as coisas com toda a verdade".

Depois de a Polícia Judiciária ter avançado que o fogo tinha tido origem numa trovoada seca, Jaime Marta Soares destaca a diferença de "duas horas" entre o começo do incêndio e o começo da trovoada.

"Tenho um profundo respeito pelas forças de segurança. Têm feito um trabalho muito sério, competente e capaz. Muitas vezes, em cima do acontecimento, ainda não se tem os pormenores todos. Também já estive em muitos incêndios onde os raios caíram após o começo do fogo. A situação tem de ser analisada", acrescentou.

Jaime Marta Soares disse ainda que entre "26 a 32% dos incêndios são causados por pessoas", atribuindo o mesmo intervalo de percentagem a "causas desconhecidas".

No Fórum da TSF, o presidente da Liga dos Bombeiros disse ainda que a falha no sistema de comunicações "não justifica tudo" e que é necessário fazer uma "análise profunda" para que não seja preciso "inventar" em situações como a que ocorreram em Pedrógão Grande.

Segundo o Expresso, a PJ quer agora ouvir o presidente da Liga dos Bombeiros para perceber a razão das suspeitas de Marta Soares. As investigações estão ainda a decorrer, mas fonte da PJ disse ao semanário que não foi detetada a "intervenção dolosa de terceiros".

No domingo, o diretor nacional da Polícia Judiciária, Almeida Rodrigues, revelava que a PJ, em articulação com a GNR, tinha conseguido determinar a origem do incêndio. "Tudo aponta muito claramente para que sejam causas naturais. Inclusivamente encontrámos a árvore que foi atingida por um raio", disse Almeida Rodrigues.

"Conseguimos determinar que a origem do incêndio foi provocada por trovoadas secas", tendo sido a partir daí que o fogo se propagou, explicou o diretor nacional da PJ.

A árvore estava próxima da localidade de Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, e segundo as autoridades, tudo indica que foi nesse local que teve início o fogo.

Fonte do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) confirmou na segunda-feira que foram registadas descargas elétricas na altura em que foi reportado o início do incêndio de Pedrógão Grande, mas revelou que os dados estão ainda em análise, uma vez que é utilizado um sistema de deteção remota que tem sempre uma margem de erro.

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