O militar P., que hoje vai ser presente ao Ministério Público do tribunal do Montijo por ter, alegadamente, agredido um cidadão brasileiro, na repartição de Finanças local, presta serviço no Núcleo de Investigação Criminal da GNR do Montijo e é praticante de várias artes marciais como o Krav Maga (israelita), o Jiu-Jitsu (japonesa) e o Muay-thai (tailandês). Segundo fontes militares contactadas pelo DN, o elemento da GNR sabia bem o que estava a fazer quando imobilizou Jair Costa com a manobra "Mata Leão" (braço a fazer chave no pescoço) e não o deixou inconsciente, como foi alegado. E só o fez depois de ter tentado explicar ao cidadão brasileiro, durante meia hora, que não podia coagir a funcionária a preencher-lhe a declaração de IRS e que tinha de se acalmar..[amazon:2017/05/1234_20170509203446].O militar P. estava de folga e tinha ido à repartição de Finanças do Montijo para resolver uma questão. Jair Costa também estava lá para entregar a sua declaração de impostos e terá, supostamente, berrado com a funcionária das Finanças para que ela lhe preenchesse a declaração. Na íntegra, o episódio terá demorado uma hora, embora o vídeo feito por Jair em direto para o Facebook seja já na parte final e dure apenas um minuto. Foi o tempo de mostrar o militar a aplicar o golpe "Mata Leão" e de se ver Jair quase a sufocar. O guarda é agora alvo de dois processos: um, do foro disciplinar, aberto pela GNR e outro interposto pela Inspeção Geral de Administração Interna (IGAI). Ontem, ainda se encontrava ao ativo porque a Guarda estará a aguardar a decisão do Ministério Público hoje, quanto a medidas de coação, para decidir se aplica ou não uma suspensão cautelar..Segundo o visado contou aos colegas, sentiu-se na obrigação de agir, apesar de estar de folga, até porque se não o fizesse estaria a cometer uma infração disciplinar..O militar já tem 15 anos de serviço na GNR e uns 35 de idade. É divorciado e pai de uma menina. Até à data, tem a ficha limpa na Guarda..César Nogueira, presidente da Associação de Profissionais da Guarda (APG/GNR), garantiu ao DN que a associação apoia o militar que "agiu dentro da proporcionalidade exigida e em conformidade com uma situação que estava a descambar num organismo público". O dirigente foi ainda informado de que o queixoso é "bem conhecido por criar situações semelhantes noutros organismos públicos"..César Nogueira diz que a abertura de um processo disciplinar pela Guarda "é normal" e garante ainda que o militar "agiu para restabelecer a ordem pública".