Por mês 370 turistas são assaltados nas ruas de Lisboa

Neste ano os roubos de carteiras subiram 25,8%, para 1478. Baixa, Bairro Alto, Cais do Sodré e Alfama são as piores zonas

Aumentam os turistas em Lisboa e os carteiristas acompanham a tendência. De janeiro a abril deste ano, a PSP de Lisboa registou 1478 furtos de carteiras na cidade, mais 25,8% do que em igual período do ano passado (1174 casos). De assinalar que este período abrangeu ainda a Páscoa, por tradição uma das fases do ano com mais turistas na capital e também com mais carteirismo. O ano passado, a capital recebeu 3,5 milhões de turistas, um acréscimo de 42% face aos 2,5 milhões de visitantes estrangeiros em 2011.

Ainda de acordo com os dados pedidos pelo DN à PSP, "ocorrem mais furtos nas zonas de maior acumulação de turistas, nomeadamente as freguesias de Santa Maria Maior e Misericórdia: Baixa de Lisboa, Bairro Alto, Cais do Sodré e Alfama".

Segundo o subcomissário Hugo Abreu, porta voz do comando metropolitano da PSP de Lisboa, este aumento registado nos primeiros quatro meses do ano ainda não levou, para já, a um reforço das equipas destacadas para prevenir este fenómeno criminal. "Temos as equipas de investigação criminal, com elementos à paisana, que andam em permanência nos elétricos mais frequentados pelos carteiristas". O mais popular é o elétrico 28 (Campo de Ourique-Prazeres) mas também andam no 15 (Praça da Figueira-Algés).

Os carteiristas misturam-se nas filas para os autocarros e elétricos, escolhem os turistas e locais que querem atacar e enquanto um "limpa a carteira" o outro protege-lhe o flanco.

Mulheres fingem ser turistas

As mulheres, sobretudo as romenas, estão a ficar peritas numa "arte" que é centenária em Lisboa. Algumas até fingem ser turistas e abrem mapas enquanto estão na fila, para disfarçar e também para facilitar a manobra de deitar a mão à carteira.

Um dos casos mais recentes aconteceu a 10 de março, num domingo, na Baixa de Lisboa. Uma carteirista de 27 anos foi detida em flagrante depois de ter assaltado um turista na Praça do Comércio, em Lisboa. A ladra fugiu com uma mochila em que a vítima guardava mais de cinco mil euros em dinheiro. Agentes da PSP recuperaram o dinheiro minutos após o crime. A carteirista era romena e já estava referenciada por outros crimes do género. Apesar destes casos aconteceram com cada vez mais frequência, os turistas tendem a considerar Lisboa uma cidade pacata e segura, como o DN comprovou esta semana com uma reportagem na zona dos Restauradores, onde se localiza a esquadra de Turismo da PSP de Lisboa. Victoria Lynch e o marido, australianos, contaram como ficaram sem 250 euros no elétrico 28 e acabaram por ter de ir apresentar queixa à esquadra de Turismo. Mesmo depois desta experiência, a australiana Victoria, de 60 anos, continua a considerar Lisboa uma cidade "razoavelmente segura".

Segundo um inquérito sobre segurança do Observatório do Turismo de Lisboa, feito no verão do ano passado, 96% dos turistas estrangeiros disseram sentir-se seguros na capital portuguesa. A esmagadora maioria (75%) disse também sentir confiança na polícia.

Na esquadra dos Restauradores, fala-se inglês, francês, italiano, alemão, russo - os agentes receberam formação específica para lidar com os turistas. A situação mais comum é os queixosos reportarem que a carteira desapareceu porque na maior parte dos casos nem dão pelo roubo.

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