Febre da caça ao Pokémon ajuda a fazer exercício e amigos

App da Nintendo tem fatores positivos, diz especialista. As pessoas fazem caminhadas de quilómetros e conhecem novos locais

Há três dias que Jacinto Correia passa os fins de tarde a vaguear pelas ruas de Setúbal. O objetivo é tentar acompanhar os dois filhos - de 13 e 15 anos - que, como o próprio diz, foram atacados pela febre do Pokémon. De telemóvel em riste. "Pelo menos saem de casa, caminham e até encontram os amigos da escola também à caça", congratula-se o pai, corroborando da conclusão de Matt Hoffman, professor assistente clínico no Texas A & M College of Nursing, para quem o novo jogo da realidade virtual aumentada convida os "treinadores" a fazer "exercício regular" se querem progredir na nova aposta da Nintendo. Mas há cuidados a ter. A PSP lançou um guia de segurança.

Matt Hoffman admite que começou a jogar por hobby, vindo a perceber que havia benefícios para a saúde. Cada treinador passa entre uma e duas horas à procura de Pokestops, enquanto para chocar um ovo pode andar entre um e dez quilómetros, refere o "professor Pokémon", como é conhecido pelos colegas.

O especialista avisa ainda que o jogo une as pessoas, "proporcionando a interação social e aumentando o sentimento de pertença que pode ter um impacto positivo sobre a nossa saúde emocional e mental", insiste, destacando que a captura de monstros tem a capacidade de tirar as famílias do sofá para as pôr a caminhar pelo bairro.

E é por isto que Jacinto Correia se deixa convencer a sair de casa mal chega do trabalho. Os filhos Rui e Miguel são "custosos" de convencer a largar as consolas, mas agora estão empolgados com as caçadas e só esmorecem quando a bateria dos telemóveis chega ao fim.

"Dizem que aquilo consome muita bateria e dados móveis, mas enquanto se divertem, é deixá-los estar", diz o progenitor, admitindo que já tentou entrar no jogo, mas não teve sucesso. "Até me senti um bocado ridículo, porque havia muita gente na rua e parece mal apontar o telemóvel para as pessoas", confessa ao DN.

O objetivo do jogo criado pela Niantic visa encontrar Pokémons e capturá-los, lançando a Pokébola, tal como já acontecia há uns anos. Mas isso era nas consolas das Game Boys lá de casa, quando se combatia em ginásios e se conquistavam crachás. Hoje, os monstros podem estar em qualquer lado - da mercearia ao talho, do jardim ao campo de futebol, onde os filhos de Jacinto já cantaram vitória -, podendo ser caçados apenas pelos treinadores que estão no local onde o Pokémon surge sinalizado em fundo real no smartphone.

Perante a febre mundial em torno do Pokémon GO, os seus criadores procuram garantir a segurança dos utilizadores. O jogo vai ter mensagens a aconselhar os jogadores a não olharem constantemente para os telemóveis quando andam na rua. A PSP emitiu um manual em que ensina a caçar bonecos virtuais em segurança, à semelhança do que fizeram as autoridades de outros países.

"No pico mais alto desta época de caça aos Pokémons... não se esqueça de que ainda estamos no mundo real", diz a PSP na sua página do Facebook, garantindo mais de 13 mil partilhas em cinco horas, justificando o lançamento do manual com acidentes ocorridos noutros países com lesões graves. Em Portugal não há registos, mas nos Estados Unidos quatro adolescentes roubaram vítimas depois de as atraírem com o Pokémon GO e dois jovens quase eram baleados quando entraram num quintal privado. Em Espanha, outros dois jovens invadiram um posto da guarda civil.

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