Um estudo encomendado pela Câmara de Marvão (Portalegre), hoje divulgado, defende o abate de 40 dos 235 freixos centenários existentes no denominado "túnel das árvores fechadas", na estrada de ligação ao vizinho concelho de Castelo de Vide..O estudo, apresentado na Casa da Cultura de Marvão, revela ainda que 75% desses freixos plantados junto à Estrada Nacional (EN) 246-1, em pleno Parque Natural da Serra de São Mamede (PNSSM), e classificados como árvores de interesse público pela sua dimensão e conjunto, têm as raízes "afetadas".."Há, neste momento, cerca de 40 árvores que nós entendemos que será de muito bom senso o seu rápido abate e eventual substituição por outras árvores", alertou à agência Lusa Serafim Riem, responsável pela empresa Planeta das Árvores, especializada em arboricultura urbana e que elaborou o estudo para o município de Marvão..Em relação ao estado das raízes das árvores, o especialista, que efetuou o trabalho de campo com a sua equipa durante o mês de junho, explicou que as mesmas estão afetadas e que "emitem sinais" através da parte aérea das árvores.."As raízes, quando estão de alguma forma afetadas, emitem sinais na parte aérea [da árvore] e esses sinais são, antes de mais, a secagem dos ramos superiores das árvores", explicou..As árvores, segundo o especialista, "têm que ser alvo de uma intervenção de poda, que reduza a sua altura".."As podas não devem ser aquelas 'carecadas', mas a situação é tão problemática naquele núcleo de árvores" que se "exige, de facto, um fortíssima redução de copa" para que seja possível "preservar as que não são abatidas por mais algum tempo e com alguma segurança", defendeu..O autor do estudo de avaliação do estado biomecânico e fitossanitário dos 235 freixos de grande porte qualificou ainda como "perfeitamente ajustada" a intenção da Infraestruturas de Portugal (IP) de abater algumas das árvores, em fevereiro deste ano.."As pessoas reagiram muito mal ao abate de cinco árvores, mas a IP só estava a fazer aquilo que lhe compete", disse..Em fevereiro, a Infraestruturas de Portugal esclareceu ter suspendido a operação de abate das árvores no próprio dia em que começou, por indicação da tutela..Tratava-se de uma operação programada por as árvores "constituírem um perigo iminente" para a segurança dos automobilistas, disse a empresa, na altura, justificando que os freixos se encontravam "decrépitos, em mau estado de conservação e sem qualquer possibilidade de recuperação"..A IP referiu ainda, em comunicado, que o PNSSM tinha autorizado o abate dos freixos e a realização de uma poda de manutenção e limpeza nas restantes árvores da EN 246-1..Na altura, o deputado socialista Luís Moreira Testa disse ter "conseguido impedir" junto da tutela o que considerou ser "um atentado"..Contactado hoje pela Lusa, o presidente da Câmara de Marvão, Vítor Frutuoso, revelou que o estudo desenvolvido pela equipa de Serafim Riem já foi enviado ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e à Infraestruturas de Portugal.."A primeira fase passa por dar a conhecer o resultado deste estudo e, depois, avançar de forma muito concertada entre o município, ICNF e IP", disse..O autarca, que está a preparar um dossiê para entregar a diversas entidades e que defende a conversão daquele espaço numa zona classificada como Património Municipal, argumentou que a autarquia "tem todo o interesse" em preservar aquele conjunto de árvores.