Tragédia em Pedrógão Grande: número de mortos aumenta para 24 e pode subir

Vítimas são todas civis e maioria foi apanhada nos carros. Há ainda duas dezenas de feridos, incluindo 10 graves

O número de mortos no incêndio de Pedrógão Grande subiu para 24, anunciou esta madrugada o primeiro-ministro, no centro de comando da Proteção Civil em Carnaxide. António Costa alertou que o total ainda pode subir, uma vez que poderá haver mais vítimas em habitações na zona onde foi registado este fenómeno e não se sabe o número de ocupantes das viaturas - foram encontrados corpos já fora das viaturas, de pessoas que aparentemente tentaram fugir e não é de excluir que possam ser encontradas mais nas proximidades".

O novo balanço surge depois do choque inicial, quando o secretário de Estado da Administração Interna anunciou que 19 pessoas tinham morrido no incêndio - dezasseis morreram dentro das próprias viaturas numa estrada nacional, entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, e outras três por inalação de fumo. A tragédia já levou o governo a declarar estado de alerta máximo e a ativar o plano de emergência municipal.

"O que ocorreu hoje esteve associado a um fenómeno meteorológico de trovoadas secas", informou o primeiro-ministro, salientando que poderão inclusivamente ter estado na origem do fogo. António Costa alertou para a manutenção das mesmas condições no domingo, pedindo por isso o máximo cuidado.

Os meios de combate ao incêndio serão reforçados com meios aéreos logo pela manhã, que incluem dois aviões Canadair que vêm de Espanha.

"Temos confirmação de 19 vítimas mortais. Civis. Três da quais na via pública por inalação fumos e 16 dentro das viaturas que ficaram apanhadas pelo fogo na estrada que liga Figueiró dos Vinhos a Castanheira de Pera. Ou seja, quando atravessavam essa estrada não conseguiram sair", disse Jorge Gomes. Os corpos foram encontrados carbonizado dentro dos carros, disse o governante.

"Houve um incêndio que se estendeu de uma forma que não tem explicação absolutamente nenhuma", acrescentou Jorge Gomes, que disse que as vias podiam até não estar cortadas porque não havia fogo, já que as chamas se intensificaram de forma inesperada. Jorge Gomes manifestou ainda o seu pesar para com as famílias e o "lamento pelas pessoas que partiram de forma tão inglória e tão injusta".

Segundo Jorge Gomes, além das 19 vítimas mortais, há ainda vinte feridos, seis dos quais bombeiros, e duas pessoas desaparecidas. Dos 14 feridos civis, dez estão em estado grave e cinco dos seis bombeiros foram retirados do terreno, para serem assistidos.

Há "localidades afetadas", mas ainda não foi possível determinar os danos causados pelo incêndio "porque não se consegue penetrar na floresta nem nos caminhos para as aldeias", acrescentou.

Segundo Jorge Gomes, estão a combater o incêndio 331 operacionais com 101 viaturas e há ainda 13 ambulâncias no local. Já foram mobilizados outros meios de outras zonas do país, quer de emergência médica, quer de combate aos incêndios.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deslocou-se a Pedrógão Grande, onde chegou por volta das 00:40, estando também a ministra da Administração Interna a caminho.

O incêndio começou às 14:43 em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, distrito de Leiria, e alastrou de forma muito rápida ao final da tarde, passando de duas para quatro frentes. Às 23:30 envolvia um total de 488 bombeiros, 160 viaturas e um meio aéreo.

A tragédia de hoje em Pedrógão Grande tem um balanço mais grave do que outras que marcaram os portugueses, como o verão de 2013, em que morreram nove bombeiros, ou o fogo de Águeda, em 1986, quando 14 bombeiros e dois civis morreram no combate a um incêndio em Castanheira do Vouga. Mas será provavelmente necessário recuar a 1966, quando 25 soldados perderam a vida a combater um incêndio na Serra de Sintra, para encontrar um número de vítimas tão elevado.

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